quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Paciente ganha tratamento contra hepatite C

 

29/01/2015 - 16h15

Reportagem assinada por Sandro Thadeu na quarta-feira (28), no jornal “A Tribuna”, de Santos (litoral de São Paulo), conta a história do advogado Benedito Alves Ribeiro, de 35 anos (foto), que está tomando os medicamentos sofosbuvir e simeprevir para tratar hepatite C, graças a uma decisão da Justiça. Os dois remédios ainda não estão liberados no Brasil, mas, com a vitória judicial, o paciente passou a recebê-los do convênio médico e conta que já teve melhora na saúde. Leia a reportagem na íntegra:

Diagnosticado com uma hepatopatia crônica e cirrose, que poderia evoluir e exigir um transplante de fígado, o advogado Benedito Alves Ribeiro, de 35 anos, resolveu entrar na Justiça contra o plano de saúde para obter a compra de novos remédios ao tratamento da hepatite C. E ganhou.

Em dezembro, Ribeiro entrou com uma ação judicial com pedido de tutela antecipada (decisão provisória, que tem efeito imediato antes do julgamento do processo) contra a Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (Fesp) para conseguir os medicamentos sofosbuvir e simeprevir.

No dia 18 do mesmo mês, o juiz da 3ª Vara de Ubatuba (litoral de São Paulo) acatou o pedido de o convênio fornecer três caixas de cada um dos remédios, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. Eles foram comprados por R$ 348 mil.

Avanço

Ao lado do daclatasvir – o único que tem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – o sofosbuvir e o simeprevir são hoje os mais modernos medicamentos no combate à hepatite C. Além de não apresentarem efeitos colaterais, ampliaram muito as chances de cura, que subiu para, no mínimo, 90%, em caso de uso combinado. Esses medicamentos já são utilizados nos Estados Unidos e na Europa.

A decisão de entrar na Justiça ocorreu após o advogado submeter-se a tratamento com medicamentos atualmente à disposição, sem sucesso. Ele foi incentivado pelo infectologista Marcos Caseiro, com quem passou a se tratar em novembro do ano passado.

“Apenas estava aguardando o tempo passar. Não tinha mais perspectivas, após fazer tantos exames, biópsias, ressonâncias. E apesar da minha situação crítica, o Caseiro me incentivou a buscar uma solução. Foi um tratamento humano. Isso foi essencial para me dar esperanças novamente.”

Reviravolta

Ribeiro começou a tomar os medicamentos na última sexta-feira. Apesar do pouco tempo de uso dos dois produtos, ele se sente mais disposto e está se alimentando melhor. “Anteriormente, eu me cansava muito fácil por fazer uma caminhada de 100 metros. Minha respiração ficava ofegante e passava mal constantemente. Meu apetite melhorou”, frisa.

Outra vantagem em relação aos outros remédios é o fato de os fármacos serem comprimidos. Isso facilita o tratamento, que pode ser feito em qualquer local, ou seja, sem a necessidade de ir a um hospital ou unidade de saúde para receber a aplicação de uma injeção. Daqui a três meses é muito provável que o advogado esteja curado completamente da hepatite C. Enfim, Ribeiro deixará no passado a tristeza e estará pronto para seguir sua trajetória com qualidade de vida.

Dados

185 milhões de pessoas no mundo podem ter o vírus da hepatite C, o que representa 3% da população mundial. No Brasil, a prevalência é em torno de 1,4% a 1,7%, principalmente entre os maiores de 45 anos.

Infectologista e ativista cobram agilidade do governo

sofosbuvir simeprevir e daclatasvir advogado liminarO infectologista e professor do Centro Universitário Lusíada (Unilus), Marcos Caseiro, entende que o governo brasileiro precisa ser mais ágil ao analisar a liberação de medicamentos para o uso no País.

Afinal, muitas pessoas estão morrendo em razão da hepatite C, que chega a provocar mais óbitos atualmente do que a aids. Por esse motivo, acredita ser correto os pacientes acionarem a Justiça para ter acesso a novos remédios.

“Não dá para esperar mais. A primeira droga (contra a hepatite C) foi aprovada em novembro de 2013, mas estamos em janeiro de 2015. Chega a ser antiético da nossa parte oferecer os medicamentos de hoje, já que os novos possuem uma eficácia em quase 100% dos casos”, afirma.

O presidente da ONG Grupo Esperança, que oferece apoio a portadores de hepatite C da Baixada Santista, Jeová Pessin Fragoso, também critica a demora da Anvisa em liberar algumas drogas. “A análise no Brasil demora até dois anos. Em outros países, esse prazo fica em torno de seis meses. A doença gera uma grande perda de qualidade de vida e pode representar um caminho sem volta. Apesar dessa situação, é preciso citar que o Brasil representa um espelho no mundo, no enfrentamento das hepatites, e está procurando avançar ainda mais”, diz.

Prioridade

A Anvisa informa que avalia a segurança e a eficácia do sofosbuvir e do simeprevir no tratamento contra a hepatite C de “forma prioritária”, a pedido do Ministério da Saúde.

A petição de registro do primeiro princípio ativo citado foi registrado no órgão em agosto do ano passado. Já a segunda, em setembro de 2013. Porém, ainda não é possível definir quando ocorrerá a concessão.

O integrante do Comitê Consultivo de Hepatites do Ministério da Saúde, o infectologista Evaldo Stanislau, explica que as negociações para incorporar essas novas drogas tiveram início em setembro de 2013.

Naquele mês, houve uma reunião no ministério para analisar o cenário do tratamento da hepatite C com as maiores autoridades mundiais do assunto. A partir dali, foi iniciado um diálogo com a indústria farmacêutica na intenção de reduzir os preços desses produtos, para incluí- los no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Há uma força tarefa em Brasília, coordenada pelo ministro da Saúde, Arthur Chioro, para que todos trabalhem em harmonia e para que o processo seja feito sem pular etapa para incorporar esses medicamentos ao SUS no menor prazo possível”, destaca o médico, que representa o Brasil no Comitê de Hepatites da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Fonte : A Tribuna

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