Perguntas e Respostas sobre Leilões

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Dicas para adquirir seu imóvel usado.

Comprar direto com o dono do imóvel pode render boas negociações. No entanto, o valor da corretagem abatido -entre 6% e 8% do imóvel-, terá de ser gasto com um advogado para checar...

Liberar bem de inventario custa 12%

Mesmo quando há um número pequeno de herdeiros e de bens, a burocracia na hora de fazer o inventário pode custar muito para quem deseja legalizar sua herança. Tanto para partilhas extrajudiciais...

Taxas de corretagem rendem indenização

Taxas de corretagem - Valores embutidos nos preços dos imóveis são questionados por quem compra unidades na planta. Judiciário tem dado ganho de causa a mutuários que tiveram que arcar com despesa...

STJ - Amil deve arcar integralmente com custos

O Ministro Luís Felipe Salomão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reformou decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que livrava a Amil Assistência Médica Internacional Ltda...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Manipulação da Bolsa nos EUA

Spoofing Robot CVM advogado manipulação da bolsa

Bancas promovem ações coletivas por manipulação da bolsa nos EUA



Dezenas de bancas americanas se mobilizaram para mover ações coletivas contra um grupo de empresas e jornalistas (ou redatores) que publicaram notícias falsas em sites financeiros para inflar o valor de ações negociadas em bolsa. As bancas se lançaram à caça de investidores lesados, em todo o país, desde que a Comissão de Valores Mobiliários (SEC – Securities and Exchange Comission) dos EUA apresentou denúncia à Justiça, em 10 de abril, contra esse grupo.

Além das notícias não serem corretas, as empresas e os jornalistas esconderam o fato de que eram “matérias pagas” — e não notícias jornalísticas normais, que são publicadas sem ônus para as fontes. Foram notícias enganosas, que resultaram em grande prejuízo para os investidores no mercado financeiro.

A empresa ImmunoCellular Therapeutics, por exemplo, divulgou uma série de notícias falsas em sites financeiros, incluindo uma no site Seeking Alpha, de janeiro de 2012, que anunciava o desenvolvimento de uma droga experimental (ICT-107) para o tratamento do câncer — um sinal de grande prosperidade pela frente.

Em poucos meses, as ações da companhia dispararam. O preço da ação subiu de US$ 42,80, antes da divulgação da notícia, para US$ 155,20 — um aumento de 263%. Mas, em dezembro de 2013, a divulgação dos resultados de um estudo clínico da ICT-107 foi decepcionante. O valor da ação despencou. Na semana passada, valia US$ 2,23.

No total, a SEC acusou 27 empresas e indivíduos: três empresas de capital aberto, sete empresas de comunicação, dois CEOs, seis diretores das empresas e nove jornalistas. As empresas mais visadas pela SEC foram a ImmunoCellular Therapeutics e a Lidingo, que cuidou da produção das notícias.

Uma das funções da Lidingo foi contratar os jornalistas para redigir as notícias que, mais tarde, foram editadas pelos executivos das empresas. A Lidingo só contratou jornalistas que concordaram em declarar, falsamente, que escreveram sem qualquer ônus para as empresas. Em alguns casos, eles usaram pseudônimos.

Os executivos da ImmunoCellular Therapeutics e da Lidingo também decidiram em que datas as notícias seriam publicadas e em que sites. Foram publicadas notícias falsas nos sites Benzinga, Wall Street Cheat Sheet, TheStreet, MarketPlayground, Investor Village, Investing.com, Forbes e Seeking Alpha.

Dos 27 acusados, 17 já acertaram as contas com a SEC. Pagaram multas de US$ 2.200 a quase US$ 3 milhões, de acordo com o Financial Times. Falta, agora, acertar as contas com os investidores que sofreram prejuízos consideráveis. Aí entram na história os escritórios de advocacia.

Curso da ação coletiva
 
Pelo menos uma ação coletiva já foi protocolada em um tribunal da Califórnia, segundo o site THE D&O DIARY. Todos os demais escritórios apenas lançaram uma página na internet convocando investidores interessados em participar da ação.


Para saber quantas bancas estão envolvidas na promoção de ações coletivas, basta pesquisar no Google com as palavras “[nome da empresa] + class action”. A lista é grande.

Conforme os candidatos aparecem, cada escritório escolhe um investidor para liderar a ação em nome de todos os participantes — e dar seu nome ao processo: “Fulano vs empresa”.

Em um certo ponto, um tribunal federal, provavelmente em Nova York (ou Califórnia), será eleito para agrupar todas as ações coletivas. E o juiz responsável irá, em primeiro lugar, decidir se aceita a ação coletiva. Tecnicamente, ele vai “certificar” — ou não — a ação coletiva.

Ele vai examinar, por exemplo, se a queixa de todos os demandantes é a mesma contra o(s) mesmo(s) demandado(s). Muitas vezes, não aceita. Por exemplo, uma ação movida por empregadas contra o Walmart por discriminação sexual se revelou um emaranhado de queixas que os juízes teriam dificuldade em deslindar.

A Suprema Corte, que teve a palavra final, decidiu que o caso não poderia ser ajuizado como uma ação de natureza coletiva, porque as mulheres não tinham razões suficientes em comum para atuar como uma classe monolítica.

Se o juiz aceitar a ação, irá então escolher um escritório de advocacia para liderar a promoção da ação e defender os interesses de todos os demandantes. À notícia de que o processo está pronto para ir a julgamento, se segue o anúncio de que ele não vai a julgamento — na maioria dos casos.

As empresas preferem chegar a um acordo, para evitar os custos do contencioso, bem como para evitar a trabalheira que dá e a perda do tempo que deveria ser dedicado aos negócios. E os escritórios de advocacia agradecem, porque podem coletar cerca de 33% (em média) do valor do acerto, sem ter de enfrentar um contencioso.

Esse curso é praticamente o mesmo que seguiu a ação coletiva, movida nos EUA por investidores, contra a Petrobras (editado).

Notícias falsas
 
A expressão fake news (notícias falsas) foi popularizada pelo presidente Donald Trump, porque ele a usou muitas vezes na campanha eleitoral e continua usando até hoje, embora não seja em seu sentido real. Trump rebate como fake news todas as notícias que lhes são desfavoráveis, independentemente de serem falsas ou verdadeiras.


No entanto, as fake news são um problema real — e muito mais sério — quando relacionadas ao mercado financeiro. De uma maneira geral, uma das formas de os investidores orientarem seus investimentos é a leitura de notícias sobre o desempenho das corporações, sobre aquisições e fusões e sobre o lançamento de algum produto com sucesso garantido no mercado.

Produzir notícias falsas é a maneira mais fácil de manipular o mercado. Por isso, o país tem leis rigorosas — e a Comissão de Valores Mobiliários tem regras bem rígidas — para impedir que os investidores sejam enganados por notícias temperadas por falsidades — como publicar uma notícia paga como se fosse uma notícia jornalística.

De uma maneira geral, as corporações produzem press releases, que são, primeiramente, divulgados em sites de press releases e, depois, em sites de outras publicações. Nesses casos, fica claro para o investidor que se trata de um press release corporativo e de não uma notícia que nasceu na editoria econômica de alguma publicação.

Além disso, esses press releases trazem no pé uma nota, chamada forward-looking statement (geralmente traduzido como “declarações prospectivas”) ou safe harbor statement (declaração de isenção de responsabilidade), para proteger os investidores contra maus entendimentos.

Nessas declarações, as empresas apresentam diversas advertências aos investidores, como as de que as declarações do press release contêm muitos riscos e incertezas, que podem fazer com que os resultados no futuro difiram substancialmente das atuais suposições da administração da empresa e que o investidor não deve colocar confiança indevida nessas declarações — entre muitas outras advertências.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 7 de maio de 2017, 12h01, João Ozorio de Melo.

Petrobras assina acordo de US$ 3 bilhões

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Petrobras fecha acordo de US$ 3 bilhões para encerrar ação nos EUA

A Petrobras assinou um acordo para encerrar a class action movida por seus investidores na corte federal de Nova York, nos EUA. Na ação coletiva, os portadores de ações e bônus da petrolífera alegam ter sofrido prejuízos com o esquema de corrupção na estatal revelado pela operação “lava jato”.

O acordo, que ainda será submetido à apreciação do juízo norte-americano, visa encerrar todas as ações atualmente em curso e que poderiam vir a ser propostas por investidores em ações e bônus da Petrobras adquiridos nos EUA.

Com o termo, a estatal busca eliminar o risco de um julgamento desfavorável que, conforme anteriormente reportado ao mercado no formulário anual arquivado na bolsa de valores brasileira e americana, poderia causar efeitos materiais adversos à estatal e à sua situação financeira. Além disso, o compromisso põe fim a incertezas, ônus e custos associados à continuidade dessa ação coletiva.

No acordo proposto, a Petrobras pagará US$ 2,95 bilhões, em duas parcelas de US$ 983 milhões, e uma última parcela de US$ 984. A primeira parcela será paga em até 10 dias após a aprovação preliminar do juiz, que não tem prazo legal pré-definido. A segunda parcela será paga em até 10 dias após a aprovação judicial final. A terceira parcela será paga em até seis meses após a aprovação final ou 15 de janeiro de 2019, o que acontecer por último. O valor total do acordo será provisionado no balanço do quarto trimestre de 2017.

O acordo não constitui reconhecimento de culpa ou de prática de atos irregulares pela Petrobras. No compromisso, a companhia expressamente nega responsabilidade e diz ser vítima dos atos de corrupção revelados pela operação “lava jato”, citando que isso já foi reconhecido por autoridades brasileiras, inclusive o Supremo Tribunal Federal. Nessa condição, a Petrobras já recuperou R$ 1,48 bilhão no Brasil e garante que continuará buscando todas as medidas legais contra as empresas e indivíduos responsáveis pelos desvios.

De acordo com a petrolífera, o acordo atende aos seus melhores interesses e de seus acionistas, tendo em vista o risco de um julgamento influenciado por um júri popular, as peculiaridades da legislação processual e de mercado de capitais norte-americana, bem como o estágio processual e as características desse tipo de ação nos EUA, onde apenas 0,3% das class action chega a fase de julgamento.

O acordo será submetido à apreciação do juiz norte-americano, que, após aprovação preliminar, notificará os membros da classe sobre os termos para que possam se manifestar. Após avaliar eventuais objeções e promover audiência para decidir quanto à razoabilidade do compromisso, o magistrado decidirá sobre sua aprovação definitiva.

As partes pedirão à Suprema Corte norte-americana que adie, até a aprovação final deste acordo, a decisão quanto à admissibilidade de recurso apresentado pela Petrobras, que estava prevista para esta sexta-feira (5/1).

Revista Consultor Jurídico, 3 de janeiro de 2018, 11h50

Acordo da Petrobras é o maior nos EUA

Dado Galdieri - 11.jul.2013/Bloomberg
 
Petrobras Action Class o que é? Significado
Acordo da Petrobras para encerrar ação é o maior de estrangeira nos EUA contra a empresa brasileira, que acaba de pagar US$ 2,95 bilhões para se livrar do processo iniciado há três anos em Nova York.

"O acordo é o maior envolvendo uma ação coletiva na última década", afirma um comunicado da Pommerantz, a firma nova-iorquina que representou o grupo de investimentos liderados pela Universities Superannuation Scheme contra a petroleira.

Em toda a história americana, o acordo é o quinto maior do gênero e o maior de todos eles envolvendo uma empresa estrangeira que tem papéis negociados nos EUA.

A Petrobras fez acordo para encerrar ação coletiva movida por investidores americanos por perdas provocadas após descoberta do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

A empresa pagará aos investidores US$ 2,95 bilhões em três parcelas. Em toda a história americana, o acordo é o quinto maior do gênero, atrás dos casos Enron (US$ 7,22 bilhões), Worldcom (US$ 6,13 bilhões), Tyco International (US$ 3,2 bilhões) e Cendant Corporation (US$ 3,18 bilhões). Os pagamentos começarão após a aprovação preliminar do juiz Jed Rakoff, da Corte Federal de Nova York, onde corre a ação coletiva.



O PROBLEMA

Entre maio de 2010 e novembro de 2014, o período em que investidores
americanos apontaram perdas com fraudes na empresa, a Petrobras vendeu
US$ 98 bilhões em ações na Bolsa de Nova York.

Nessa mesma época, o preço dos papéis da estatal brasileira despencou de
US$ 19,38 para US$ 10,50, uma queda de 46%. Enquanto isso, o valor de
mercado da empresa encolheu para pouco mais de um décimo do que era, de
US$ 310 bilhões em 2009 para US$ 39 bilhões em 2015.

O comunicado do escritório Pommerantz lembra, no entanto, que ainda há
pendências contra a PricewaterhouseCoopers, firma que fez a auditoria da
Petrobras.

No processo, os advogados argumentam que a PwC escondeu gastos de até
US$ 30 bilhões em compras de ativos da contabilidade da Petrobras e que ela
recebeu US$ 7,7 milhões em 2012 e US$ 8,6 milhões em 2013 pelos serviços
prestados então à petroleira.

De acordo com o Pommerantz, a vitória dos investidores abre um precedente
na Justiça americana, já que foi reconhecido em segunda instância o pedido
de ressarcimento de empresários que se viram lesados tanto na compra de
estoque quanto na dos papéis da dívida do grupo.

Na visão da Justiça americana, segundo a firma de Nova York, a Petrobras
não pôde demonstrar que seus papéis tinham valor garantido nos mercados
internacionais.

"Estamos muito contentes com esse acordo histórico", disse Jeremy
Lieberman, um dos sócios do Pommerantz.

"Durante a negociação, importantes precedentes foram estabelecidos em
relação a requerimentos em ações coletivas. Esses precedentes formarão a
base de novas decisões em casos nas próximas décadas. Em resumo, esse
processo e sua resolução legaram excelente resultado."

ACORDO

O processo contra a estatal foi iniciado em dezembro de 2014 por acionistas
descontentes com a perda de valor das ações após a descoberta do esquema
de corrupção. Desde então, a Petrobras fechou uma série de acordos
individuais com investidores institucionais.

A estatal diz que o acordo "atende aos melhores interesses da companhia,
tendo em vista o risco de um julgamento influenciado por um júri popular (e)
as peculiaridades da legislação processual e do mercado de capitais norteamericano".
Alega ainda que apenas 0,3% dos casos de ações coletivas nos Estados Unidos
chega à fase de julgamento –o restante é encerrado antes por acordos. E diz
que o acordo "não constitui reconhecimento de culpa ou de prática de atos
irregulares, reforçando sua estratégia de defesa, de colocar-se como vítima do
esquema de corrupção comandado por ex-executivos e partidos políticos.

"Na condição de vítima, a Petrobras já recuperou R$ 1,475 bilhão no Brasil e
continuará buscando todas as medidas legais contra as empresas e indivíduos
responsáveis".

O pagamento dos US$ 2,95 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) terá impacto no
resultado da companhia no quarto trimestre de 2017, diz o comunicado. O
valor equivale ao dobro do lucro acumulado pela empresa nos três primeiros
trimestres do ano passado.

Representa também 65% de tudo o que a empresa arrecadou até o momento
na segunda fase de seu plano de venda de ativos, que tem como meta levantar
US$ 21 bilhões o fim do ano.

Investidores brasileiros, incluindo grandes fundos de pensão estatais, abriram
processo semelhante no Brasil na câmara de arbitragem da Bolsa de São
Paulo, para tentar recuperar perdas com o investimento em ações da
empresa.

O processo corre sob sigilo, mas fontes próximas falavam em cerca de 300
adesões até o fim de 2017.

Fonte:Folha


Petrobras to Pay $3Billion to End Lawsuits
January 3rd, 2018, 2:34 PM GMT-0200

Bloomberg’s Paula Sambo discusses a $2.95 billion lawsuit settlement by Brazil’s state-run energy explorer Petrobras and what it may mean for the company. She speaks with Vonnie Quinn on "Bloomberg Markets." (Source: Bloomberg)



terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Um sobrenome que virou sinônimo de leilão

Um sobrenome que virou sinônimo de leilão

Pergunte aos irmãos Luiz Fernando e José Eduardo de Abreu Sodré Santoro quais foram as grandes decisões que tomaram para desenvolver o mercado de leilões e construir a organização-símbolo desse segmento no Brasil e eles dirão que o sucesso se deve mais à consistência do trabalho cotidiano e aos resultados que proporcionam a vendedores e compradores do que às ideias inovadoras que tiveram. Mas basta mergulhar um pouco mais na história para descobrir que tanto a organização quanto o segmento devem muito à ousadia, ao empreendedorismo, às decisões acertadas e ao espírito inovador destes fundadores.

1,5 milhão de carros

A Sodré Santoro é a maior organização de leilões da América do Sul. Atua na venda de automóveis, imóveis e uma infinidade de outros produtos, como aeronaves, embarcações, máquinas operatrizes, móveis, computadores e sucata industrial há quase 40 anos. Os números impressionam. Só de carros, já leiloou mais de 1,5 milhão de unidades – o equivalente ao que as seis maiores montadoras que atuam no Brasil produziram no ano passado. Para expor o que vende, possui cinco pátios e se prepara para lançar o sexto, que totaliza 2 milhões de metros quadros, área superior à do Parque do Ibirapuera.

Mais que isso, fizeram o próprio sobrenome virar sinônimo do segmento. Os fundadores e seus filhos, que hoje estão assumindo o comando da organização, contam que quando apresentam seus documentos em diversos lugares, é comum ouvirem a pergunta: “Sodré Santoro dos leilões?”. Um reconhecimento construído com muita dedicação.

Advogado Leilão Dúvida Consulta SP
Luiz Fernando, à esquerda, e José Eduardo, à direita/FOTO: ALAN TEIXEIRA

Como tudo começou

Foi Luiz Fernando quem iniciou o negócio, em 1979. Tinha menos de 30 anos de idade, três faculdades concluídas (economia, direito e comunicação social) e trabalhava como operador na Bolsa de Valores de São Paulo. A função de leiloeiro estava regulamentada no Brasil desde 1932, mas até então tinha pouco destaque, se restringindo basicamente ao segmento de pregões judiciais. Ele vislumbrou a oportunidade de estender esse sistema de negociação a outros setores e foi atrás de informações e da nomeação para atuar como leiloeiro.

Viajou com o irmão José Eduardo para ver de perto como esse negócio funcionava em outros países, sobretudo nos Estados Unidos. Eles ficaram especialmente impressionados com os leilões de carros, inclusive como sucata, mas esse mercado ainda era pequeno no Brasil. O que havia em volume maior por aqui eram sobras de produção industrial, como retalhos de aço que as fábricas amontoavam em seus pátios e de tempos em tempos vendiam sem se preocupar muito com o preço alcançado.
Advogado Leilão Dúvida Consulta SP



 Pátio da Sodré Santoro, em Guarulhos

Vende-se um viaduto

Eles sabiam que, por meio de leilão, conseguiriam preço melhor para a sucata e foram atrás de clientes. Mas tiveram uma dificuldade imprevista com empresas privadas. “Naquela época, as pessoas associavam a palavra leilão à venda de ativos de companhias falidas. A gente chegava num possível cliente, expunha a ideia e eles diziam: ´Você está louco? Vão pensar que nós falimos´. Havia um preconceito forte,” conta Luiz Fernando.

Os primeiros clientes acabaram sendo empresas públicas, que não tinham esse tipo de preocupação e, além disso, poderiam se beneficiar de outra vantagem que os pregões abertos proporcionam: a transparência da negociação, um atributo especialmente importante no caso de estatais.

Um leilão dessa época acabou tendo repercussão muito acima do esperado. A Dersa, empresa que administra as rodovias paulistas, contratou a Sodré Santoro para leiloar veículos abandonados após acidentes ou apreensões nas estradas. “Na reunião, perguntei se não tinham outros materiais para leiloar, além dos carros, e alguém, não sei se falando sério ou de brincadeira, lembrou de um viaduto desativado no km 44 da Via Anchieta construído com treliça metálica. Pensei: ´Por que não?´. Então colocamos o viaduto no leilão e comunicamos o mercado. O interesse da imprensa foi enorme. A notícia saiu durante vários dias nos jornais. No dia do leilão, tinha uma multidão de jornalistas acompanhando”, recorda Luiz Fernando. “Saiu em todos os canais de TV.”

O lote foi arrematado, mas o negócio acabaria sendo desfeito alguns dias depois por divergências em relação à forma de demolição do viaduto: o comprador queria implodi-lo, alternativa proibida pela Dersa. A estrutura permanece abandonada no mesmo local até hoje.

A sucata de amanhã

Aos poucos, os irmãos chegaram às companhias privadas – e foi então que eles introduziram uma novidade que trouxe grande resultado para os clientes e para a própria organização: a venda futura de sobras industriais.

O sistema foi implantado inicialmente em uma importante indústria de eletrodomésticos. Assim como outros fabricantes de bens duráveis, a empresa tinha uma peculiaridade em relação à geração de sucata: o tipo e o volume das sobras eram relativamente constantes e previsíveis – nessa indústria, eram principalmente retalhos das chapas de aço cortadas para a fabricação de fogões, geladeiras e máquinas de lavar.

Luiz Fernando se inspirou nas vendas futuras do mercado de ações e sugeriu à companhia leiloar não apenas as sobras acumuladas no pátio, mas tudo o que fosse gerado em períodos futuros. Deu certo.  A novidade se espalhou e vieram muitos outros clientes. “As empresas desativavam seus pátios de sucata, que eram feios, e ainda recebiam antecipadamente pelas sobras que iriam gerar”, ele recorda. “Sem contar que, na época, o Brasil vivia um período de inflação altíssima e o recebimento era antecipado.” Segundo ele, por volta de 1985, seis anos após a fundação, a Sodré Santoro já atendia cerca de 50% das indústrias do Estado.

Do alto da Kombi

Paralelamente à consolidação desse mercado, iam buscando outros segmentos, como os leilões judiciais e a venda de veículos de seguradoras recuperados de furto ou acidentados e bens que os bancos  retomavam de financiamentos não pagos – principalmente imóveis e automóveis.

Naquele tempo, o palco sobre o qual Luiz Fernando e José Eduardo comandavam boa parte dos leilões era uma perua Kombi que funcionava como carro de som. Eles ficavam com parte do corpo para fora do teto solar do veículo e, com o microfone na mão, apresentavam os lotes e estimulavam os compradores a dar seus lances.

Em pátios com muitos carros ou outros produtos expostos, a Kombi ia mudando de lugar para ficar mais perto dos novos lotes a serem vendidos e dos interessados em comprá-los. Finalizavam cada negociação com a tradicional batida do martelo, que para eles simboliza mais do que a conclusão de uma venda. Representa a paixão pelo negócio.

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Sodré Santoro, Km 224,06 da Rodovia Dutra, Guarulhos. Na foto, pátio com motocicletas que foram leiloadas/ FOTO: VALERIA GONCALVEZ/AE

Vem recessão por aí

Em 1989, eles enxergaram uma ameaça e uma oportunidade no horizonte. A inflação estava completamente fora de controle, tendo atingido inacreditáveis 1.764% naquele ano, e o candidato Fernando Collor ganhara as eleições com a promessa de acabar com ela rapidamente. “Pensamos: ´vem recessão forte por aí´”, conta Luiz Fernando. “A produção industrial vai cair, o mercado de sucata vai encolher e precisamos nos preparar para a mudança.”

Em compensação, eles previram grande aumento na devolução aos bancos de imóveis e, principalmente, carros financiados – e direcionaram o foco para esses negócios. Isso exigia uma mudança importante. Até então, os leilões que a organização realizava aconteciam quase sempre na sede das empresas vendedoras. Para crescer no mercado de carros, porém, precisavam investir em pátios próprios – e foi o que fizeram.

Em 16 de março de 1990, um dia após assumir o governo, Collor anunciou um plano econômico arrasador. Para reduzir drasticamente o consumo, confiscou todo o dinheiro que a população tinha depositado no banco acima de 50 mil cruzeiros – o equivalente hoje a R$ 9,7 mil. Esses valores só começariam a ser devolvidos dali a 18 meses e mesmo assim aos poucos.

Leilão a prazo

A recessão se aprofundou e logo as retomadas de carros financiados se multiplicaram. Mas como vendê-los num momento em que ninguém tinha dinheiro disponível nem mesmo para eventuais pechinchas? Luiz Fernando levou uma ideia nova aos bancos: vender os carros a prazo, algo inédito naquela época e que até hoje é extremamente incomum no segmento de leilões, que se caracteriza pelas negociações à vista.

Exatos trinta dias após o Plano Collor, a Sodré Santoro anunciou o primeiro leilão de carros pós-confisco com compras parceladas em dez prestações. “A procura foi fantástica”, relata Luiz Fernando. “Tínhamos 150 carros à venda e apareceram 4 mil interessados.” Nos dias e meses seguintes, as vendas a prazo continuaram gerando ótimos resultados.

Nos anos seguintes, a organização deu prosseguimento à estratégia de investir em pátios próprios para armazenar e expor as mercadorias dos clientes. Em 1996, inaugurou o de Guarulhos, na Grande São Paulo, que figura desde então como o maior da América do Sul, com 300 mil metros quadrados. Além dele, possui unidades em Ribeirão Preto, Bauru, Monte Mor, no interior paulista, e Curitiba. Em 2018, está prevista a inauguração do pátio de Cesário Lange, com mais de 1 milhão de metros quadrados.

Contratos de aluguel à venda

A história da Sodré Santoro traz muitos outros exemplos de inovação. Ainda nos anos 90, um banco que havia tido sua liquidação decretada chamou os leiloeiros para vender seus imóveis. Na conversa, o cliente contou que tinha um problema urgente: devolver os prédios de agências alugados, situados em alguns dos melhores endereços do País, aos proprietários, pagando multa. “Eram contratos com muitos anos de vigência pela frente e que podiam ser transferidos a outros locatários. Então, sugerimos, em vez de devolver, vender os direitos de locação em leilão”, conta Luiz Fernando. “Deu certo. Em vez de gastar com rescisão, eles ganharam um bom dinheiro com aqueles contratos.”

A partir dos anos 2000, começaram a enfrentar um novo desafio: a adaptação do negócio à era da internet. Quem visita o site da Sodré Santoro percebe que os negócios já estão incorporados à era digital. Com as mesmas ferramentas dos maiores portais de leilões do mundo, a organização apresenta milhares de ofertas online, gerando negócios com agilidade e transparência.

Mas Luiz Fernando reconhece que, nesse aspecto, a organização deve mais aos sucessores do que a ele e ao irmão. “No começo, eu e o José Eduardo éramos um pouquinho contrários a investir em internet”, ele afirma. “A gente pensava que teria um público restrito, mas a rede acabou se mostrando uma excelente ferramenta para ampliar o número de compradores, que agora podem estar no Brasil inteiro”.

Os leilões continuam acontecendo presencialmente, mas são transmitidos em vídeo e recebem lances pela internet. Os compradores virtuais arrematam 87% dos lotes, muitos deles depois de visitar pessoalmente os pátios da Sodré Santoro para avaliar previamente os produtos.

Atiçando rivalidades

Os fundadores ainda conduzem alguns leilões. E fazem isso por paixão. “Eu gosto de participar das negociações, de acirrar as disputas”, diz Luiz Fernando. “De olhar nos olhos de um dos interessados e dizer: ´Ele cobriu o seu lance, você vai deixar por isso mesmo?´ De estimular a rivalidade.”

Um dos leilões mais importantes que realizou na última década foi a venda do famoso prédio do antigo Hotel Nacional, um cartão postal do Rio de Janeiro projetado por Oscar Niemayer em 1970, que havia falido e estava abandonado havia 14 anos. Depois que Luiz Fernando bateu o martelo, em 2009, o prédio passou por uma reforma completa e o hotel foi reinaugurado no fim do ano passado.

Mas os fundadores se ocupam hoje mais das decisões estratégicas da organização. O dia a dia está a cargo de três filhos de Luiz Fernando (Carolina, Mariana e Otavio) e do filho de José Eduardo (Flávio), que herdaram dos pais a paixão pelo negócio e cuidam de áreas distintas da Sodré Santoro.

Sonhos para o futuro

Os fundadores têm muitos planos para a Sodré Santoro. Acreditam que ainda há diversos segmentos novos a serem desbravados, mas mantêm os pés no chão. “Você vê tantos exemplos de empresas que eram poderosas no passado, mas não conseguiram se adaptar às mudanças do mercado e desapareceram, então a primeira pergunta que a gente se faz é como fazer o melhor para o negócio de leilões continue prosperando”, diz Luiz Fernando. “Leiloeiro é uma das profissões mais antigas do mundo, acredito que sempre vai existir. Mas a gente não pode ficar contente só com o que passou porque senão fica para trás. Tem de ficar atento às transformações no mundo, às novas oportunidades, e evoluir continuamente.”

Essa filosofia tem sido seguida pelos sucessores, que vêm estudando novas formas de aproveitar o potencial da internet para ampliar o leque de leilões da Sodré Santoro. Pelo menos um projeto inovador deve ser implantado em 2018, provavelmente ainda no primeiro semestre. Luiz Fernando e José Eduardo não revelam detalhes sobre o novo investimento. Mas uma coisa é certa: eles já bateram o martelo.

Fonte: Estadão

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

FGC aprova cobertura de R$ 1 milhão para investidores

SÃO PAULO - O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) aprovou a mudança das regras de cobertura do fundo, que agora passa a ser limitada a um volume global de R$ 1 milhão por CPF, com a cobertura de R$ 250 mil por emissor sendo mantida, segundo informações do Estadão/Broadcast.  

A mudança foi aprovada em assembleia geral extraordinária por unanimidade dos participantes. 

De acordo com a publicação, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), que tem reunião marcada para o próximo dia 21, e ser publicada no Diário Oficial da União.

A entidade também fixou um prazo de 4 anos para a garantia. Com isso, o investidor que receber R$ 100 mil em caso de quebra da instituição passa a ter um limite de garantia de R$ 900 mil nos quatro anos posteriores.

A decisão de se fazer uma mudança ocorre por conta de um entendimento de que houve abuso da proteção oferecida e que o FGC se tornou uma peça de marketing para bancos menores captarem. Tudo isso tem incomodado os grandes bancos, enquanto o investidor tem negligenciado o risco.

 O FGC garante depósitos em conta corrente, caderneta de poupança, CDB, LCI, LCA, letras de câmbio, letras imobiliárias, letras hipotecárias e operações compromissadas.

Fonte: Infomoney

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Acordo de plano econômico vai incluir ações individuais






Após uma semana de negociação, bancos e poupadores resolveram a última pendência para assinar o acordo de indenização pelas perdas com planos econômicos dos anos 1980 e 1990: quem entrou com ação individual será coberto pelo acordo, e não apenas os com ação coletiva. 


Com isso, o valor estimado a ser pago subiu de R$ 10 bilhões para R$ 12 bilhões.

Os bancos resistiam pois queriam que somente os beneficiários de ações coletivas fossem contemplados –cerca de 1 milhão de ações. 


Os representantes dos poupadores insistiram em que também as ações individuais válidas fossem consideradas para o acordo que inclui os planos econômicos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991).

Representantes da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), da Febrapo (Frente Brasileira dos Poupadores) e do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) vão submeter os termos do acordo aos seus associados. Na sexta (8), devem voltar a se reunir na AGU (Advocacia-Geral da União) para assinar a minuta, se houver consenso. 


Se essa etapa for superada, o acordo será levado aos três ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que têm processos referentes a planos: Dias Toffoli, Ricardo Lewandovski e Cármen Lúcia, presidente do tribunal.

É possível que o assunto seja levado ao plenário para uma decisão colegiada. Se for aceito, as ações que tramitam na Justiça serão encerradas. 


PRÓXIMOS PASSOS
 

Nessa nova rodada de discussões, não houve alterações nos acertos financeiros das indenizações.

Sobre o valor a ser pago incidirá um fator de correção que foi chamado de "multiplicador" e leva em consideração, por exemplo, juros de mora. O multiplicador vai variar de acordo com o plano econômico.

Depois da correção do valor, haverá um desconto que também varia de acordo com o plano econômico. Os mais recentes terão desconto menor. A reportagem apurou que esse corte poderá chegar a 40%. Os bancos pediam um abatimento mínimo de 50%. 


Também foi definido um patamar para pagamentos à vista, mas ele não foi revelado. Acima desse patamar, o valor será pago em parcelas corrigidas pelo IPCA (índice oficial de inflação). 


Apesar de terem chegado a um consenso, os representantes envolvidos se comprometeram a não divulgar os termos finais até que a minuta do acordo seja assinada. Isso para evitar possíveis desgastes com o Supremo. 


Na semana passada, a advogada-geral da União, ministra Grace Mendonça, afirmou que o acordo dará novo impulso à economia e vai resolver "um dos conflitos mais longos do nosso país".



ENTENDA O ACORDO


Quem tem direito às indenizações?
Aqueles que ingressaram com ações coletivas e individuais. Poupadores que não entraram com ações ficarão fora.


O pagamento será integral?
Não. Haverá um índice de correção monetária e um desconto que pode chegar a 40% 


O valor será pago à vista?
A maior parte deverá ser parcelada com correção pelo IPCA 


Já posso ir ao banco?
Ainda não. Os termos finais do acordo foram definidos, mas, para valer, é preciso que seja homologado pelo Supremo Tribunal Federal.


Tenho processo contra o banco em tramitação. Devo desistir?
Para aderir ao acordo, será preciso abrir mão de todas as ações 


Não concordo com os termos do acordo. Devo manter minha ação na Justiça?
Se o Supremo aceitar o acordo entre bancos e poupadores, todas as ações serão automaticamente encerradas

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sai Acordo de Planos Econômicos

 

Bancos e poupadores fecharam nesta segunda-feira (27) os termos finais do acordo que prevê indenizações pelas perdas provocadas por planos econômicos nas décadas de 1980 e 1990.

O valor a ser pago gira em torno de R$ 10 bilhões e a maior parte deverá ser parcelada. No passado, os bancos diziam que isso custaria pelo menos R$ 50 bilhões. Os poupadores falavam que não passaria de R$ 20 bilhões.


A previsão é de que o texto seja assinado na próxima segunda (4) e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caso seja homologado, serão encerrados mais de 1 milhão de processos em andamento na Justiça há quase três décadas.
 

Embora o acordo envolva aqueles que ingressaram com ações coletivas, ele será estendido para todos os poupadores que, dentro de seis meses depois da homologação do Supremo, conseguirem comprovar que tiveram aplicações em caderneta de poupança durante a vigência dos planos Bresser (1987), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991). Para isso, bastará ir direto ao banco.
 

Sobre o valor a ser pago incidirá um fator de correção que foi chamado de "multiplicador" e leva em consideração, por exemplo, juros de mora. O multiplicador vai variar de acordo com o plano econômico. 

Depois da correção do valor, haverá um desconto que também varia de acordo com o plano econômico. Os mais recentes terão desconto menor. A reportagem apurou que esse corte poderá chegar a 40%. Os bancos pediam um abatimento mínimo de 50%.
 

Também foi definido um patamar para pagamentos à vista, mas ele não foi revelado. Acima desse patamar, o valor será pago em parcelas que serão corrigidas pela inflação medida pelo IPCA. Os bancos queriam pagar a TR (Taxa Referencial), que é bem mais baixa.
  



MEDIAÇÃO
 

A Advocacia-Geral da União (AGU) mediou as negociações com apoio do Banco Central entre a Frente Brasileira dos Poupadores (Febrapo), do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

A advogada-geral da União, a ministra Grace Mendonça, ligou para o presidente Michel Temer para comunicar o fechamento do "acordo histórico".


Também foram avisados a presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. 


Apesar de terem chegado a um consenso, os representantes envolvidos se comprometeram a não divulgar os termos finais até que a minuta do acordo seja assinada. Isso para evitar possíveis desgastes com o Supremo.


Ainda estão previstas três reuniões nesta semana para acertar detalhes. Um dos pontos se refere ao pagamento de indenizações a poupadores que tinham aplicações em instituições que quebraram ao longo das décadas.


O acordo ganhou força porque, neste ano, a ministra Cármen Lúcia declarou que iria colocar o assunto para votação no Supremo.


Desde então, os bancos passaram a acumular derrotas sobre o assunto também no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Por isso prosperou a negociação intermediada pela AGU.

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Entenda os planos que tentaram conter a inflação antes do Real


PLANO BRESSER (16.JUN.1987)
Como foi a correção - Substituiu o IPC (26,06%) pela OTN (18,02%)
Quem tem direito à correção - Poupança com aniversário de 1º a
15.jun.1987
 

PLANO VERÃO (16.JAN.1989)
Como foi a correção - Trocou o IPC (42,72% ao mês) pela LFT (22,35%)
Quem tem direito à correção - Poupança com aniversário de 1º a
15.jan.1989
 

PLANO COLLOR 1 (16.MAR.1989)
Como foi a correção - Confiscou por 18 meses valores acima de NCZ$ 50
mil
Quem tem direito à correção -Poupança com aniversário de 1º a
15.abr.1990
 

PLANO COLLOR 2 (31.JAN.1991)
Como foi a correção - Substituiu o BTN-F pela TRD, ambas com variação
diária
Quem tem direito à correção -Poupança com aniversário de 1º a
31.jan.1991


ENTENDA
SEUS DIREITOS

Quem tem direito às indenizações pelas perdas com planos
econômicos?

O acordo vale para aqueles que ingressaram com ações coletivas. No entanto,
os poupadores que conseguirem comprovar depósitos do passado poderão
pedir a correção diretamente no banco em até seis meses depois da
homologação do acordo pelo Supremo Tribunal Federal (STF)


O pagamento será integral?


Não. Haverá um índice de correção monetária e um desconto que pode chegar
a 40% dependendo do plano econômico


O valor será pago à vista?


A maior parte deverá ser parcelada com correção pelo IPCA (índice oficial de
inflação) –os bancos queriam que a referência fosse a TR (taxa referencial),
que oferece uma correção menos para os correntistas. O valor de referência
para o parcelamento ainda não foi revelado


Já posso ir ao banco?


Ainda não. Os termos finais do acordo foram definidos mas, para valer, é
preciso que seja homologado pelo Supremo Tribunal Federal. A minuta do
acordo deve ser protocolada na próxima segunda-feira (4)