terça-feira, 13 de março de 2018

Seguradora deve cobrir quimioterapico oral

 
Tradicionalmente, o tratamento contra o câncer tem tido como principal pilar a aplicação de quimioterapia endovenosa. Este tratamento, muito temido e estigmatizado pelos pacientes, pode levar, em algumas situações, à queda do cabelo, náuseas e vômitos, alterações da imunidade, dentre outros efeitos tóxicos. A aplicação é feita em regime hospitalar ou em clínica especializada. Nas últimas duas décadas a oncologia tem passado por profundas mudanças, uma delas tem sido a incorporação de drogas administradas por via oral (comprimidos ou cápsulas) para o combate à doença. A possibilidade de tratamento com pílulas certamente tem impactado na melhoria da qualidade de vida dos doentes, já que o tratamento pode ser feito em casa, junto a família, sem a necessidade do paciente dispender horas, ou até dias, para administração da quimioterapia em regime hospitalar.

As drogas orais, a depender do tipo, possuem perfis de efeitos colaterais específicos como, por exemplo, manchas e alterações da cor da pele, diarréia, alterações de sensibilidade. Obviamente, existe uma gama imensa de medicações orais para combate ao câncer, cada uma delas com indicação específica e perfil de toxicidade peculiar. Os medicamentos orais em oncologia podem ser classificados como medicamentos quimioterápicos, hormonioterápicos ou ainda medicamentos alvo (bioterapias). A diferença ente esses subtipos está no mecanismo de ação da medicação. A quimioterapia consiste em uma droga que age no organismo como um todo, nas células cancerígenas e nas células normais, interferindo na sua multiplicação. Lembramos que a quimioterapia oral pode ter efeitos colaterais tão proeminentes quanto as medicações venosas. A hormonioterapia oral consiste na administração de substâncias que bloqueiam hormônios sabidamente ativos no crescimento e desenvolvimento do câncer, como é o caso do estrogênio e progesterona no câncer de mama e endométrio, e da testosterona no câncer de próstata. A bioterapia oral consiste em medicações direcionadas a alvos específicos na célula tumoral, com intuito de poupar ao máximo as células normais da ação do medicamento. Nos últimos anos, com os avanços das pesquisas no campo da oncologia, cientistas tem elucidado cada vezes mais alterações genéticas e vias intracelulares de desenvolvimento do câncer. Estas descobertas têm levado ao descobrimento de drogas que agem especificamente nestes alvos (bioterápicos).
 
É importante frisar que, apesar da comodidade da administração da medicação oral em oncologia, é necessário disciplina e esclarecimento por parte do paciente e familiares. A não administração correta destas medicações, fato esse comum na prática médica, pode determinar o insucesso do tratamento, levando a desfechos desfavoráveis. A aplicação de medicações endovenosas, ao contrário, permite a regulação rigorosa da administração e dose pela equipe médica, farmacêutica e de enfermagem.

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