sexta-feira, 18 de novembro de 2016

OAB registra 1 milhão de advogados

 
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ultrapassou hoje (18/11) a marca de 1 milhão de advogados regularmente inscritos em seus quadros. São exatos 1.000.036 profissionais registrados.
 Os estados que mais concentram membros da Ordem são respectivamente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O lanterninha é Roraima, com apenas 1.558.

Advogados por estado. Gráfico feito com Power BI
Advogados por estado. Gráfico feito com Power BI

Num cenário de tanta concorrência, qual seria o momento adequado para abrir o próprio escritório? Advogados que também atuam como professores universitários não recomendam que o sonho do escritório próprio seja realizado logo após a formatura – sob pena de que ele seja transformado em pesadelo.

“Pouquíssimos cursos de Direito têm algum foco em gestão de escritório. O aluno conhece do Direito, mas não conhece de gestão”, afirma o advogado Marco Florêncio Filho, professor do Mackenzie e presidente da Comissão de Direito Penal Econômico da OAB/SP.

“Se eu fosse jovem, buscaria conhecimentos em áreas novas que já são realidade para não ser uma peça descartável na engrenagem”, diz. Algumas das áreas citadas pelo professor foram arbitragem, mediação, direito penal empresarial, direito para os meios eletrônicos, direito societário, direito ambiental e compliance.

Cidades pequenas e capitais
 

Para o advogado Nelson Mannrich, professor titular de direito trabalhista da Universidade de São Paulo (USP), em cidades pequenas pode até haver espaço para um recém-formado se aventurar a montar seu próprio escritório, mas em São Paulo ou Rio de Janeiro isto seria uma aventura muito grande.

“Hoje você precisa ter uma estrutura muito mais sofisticada, além de uma máquina de escrever e um telefone, como no passado. É preciso ter consciência que o colega de faculdade com quem se bebe cerveja nem sempre vai ser um bom sócio”, diz Mannrich.
“Não sei dizer quantos pequenos escritórios dão certo no país, mas imagino que acompanhe a estatística das empresas, em que mais da metade fecha depois de poucos anos”.

Tempo ideal: dez anos
 

Na visão do advogado Luciano de Souza Godoy, professor da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, o tempo ideal de experiência que um profissional precisa ter para abrir o seu próprio escritório giraria em torno de dez anos.

“É improvável que alguém aposte um caso importante num advogado com escritório próprio de menos de 25 anos. Você precisa ter vivido, tem que ter uma experiência de negócios, na área criminal e na área corporativa. Na minha visão, um advogado está maduro depois de 10 anos no mercado, quando já sênior”, afirma Godoy.

Se o jovem já tiver pós-graduação, vier de uma família com relacionamento na área jurídica, e tiver feito bons estágios, este tempo, claro, pode ser menor.

E no estado com menos advogados?
 

Mesmo em Boa Vista, capital de Roraima, estado com menos advogados no país, não é aconselhável abrir um escritório logo de cara.

“Nos últimos dez anos, o mercado se manteve o mesmo, não veio indústria, não teve ampliação significativa do comércio, nada disso. Em contrapartida, o número de advogados triplicou ou quadriplicou”, afirma o advogado Alex Ladislau, que já teve o maior escritório da cidade e nas últimas eleições se candidatou a prefeito pelo PRP.

Num cenário onde não há grandes escritórios, segundo Ladislau, o recomendável é que o recém-formado trabalhe num escritório já consolidado enquanto fica conhecido ou então trabalhe por conta própria de casa.

“Por aqui é muito comum que o jovem busque um cargo público comissionado como primeira renda e se dedique à advocacia de forma secundária”, afirma. Segundo Ladislau, há profissionais que atuam como correspondentes para escritórios de São Paulo cobrando apenas 30 reais por processo.

Fonte: Site Jota

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