segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Cliente grávida perde atendimento no Santa Joana

 
Por FABIANA FUTEMA


Publicitária pagou para ter bebê no santa Joana, mas Unimed agora oferece o Santa Helena (Foto: Arquivo Pessoal)Publicitária pagou para ter bebê no santa Joana, mas Unimed agora oferece o Santa Helena (Foto: Andrea Jacob/Arquivo Pessoal)
A publicitária Andrezza Barletta, 35, é um dos 744 mil clientes afetados pela crise financeira da Unimed Paulistana. Várias clínicas e laboratórios suspenderam a marcação de consultas e exames para os clientes da empresa, que terá de repassar sua carteira para outra operadora.

Grávida de 32 semanas, Andrezza planejava ter seu bebê no hospital Santa Joana, localizado no Paraíso, região central de SP.

O problema é que o hospital suspendeu o atendimento aos clientes da Unimed Paulistana.
Segundo a publicitária, a Unimed Paulistana está encaminhando as gestantes que queriam fazer o parto no Santa Joana ou ProMatre para o Santa Helena, que faz parte da rede própria do plano de saúde.

“Paguei para ter o bebê na Pro Matre ou no Santa Joana e agora apenas o Santa Helena está disponível. Se o atendimento estivesse normalizado já não seria justo, pois é um hospital bem mais simples, quarto compartilhado. Mas como a Unimed está encaminhando todo mundo para lá, o atendimento ficou caótico, similar ao SUS”, afirma Andrezza.

Além de ficar sem a maternidade desejada, Andrezza teve seus exames desmarcados por um laboratório. “O laboratório não só me ligou cancelando meu ultrassom como também me enviou os “preços especiais” que estão praticando com os clientes da Unimed.”
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar)  deu 30 dias de prazo para a carteira da Unimed Paulistana ser transferida para outra empresa.

Andreza teme que esse prazo seja prorrogado por mais 15 dias ou que ela em trabalho de parto antes de outra empresa assumir a carteira de clientes da Unimed Paulistana.
A expectativa dela é que a nova empresa que assuma esses clientes dê cobertura para partos nessas maternidades.

O Procon-SP informa que a Unimed Paulistana tem de oferecer para os usuários outro hospital com o mesmo padrão de atendimento.

Se o cliente não concordar com o serviço oferecido, a opção é entrar com uma ação na Justiça.

Se quiser ter seu parto no Santa Joana, a publicitária diz que terá de pagar quase R$ 20 mil do próprio bolso, já que perdeu a cobertura pelo plano de saúde.

Andrezza diz que vai processar a empresa logo depois do parto por danos morais.

“Não deveria estar passando por isso. Por conta do estresse, tenho sentido muitas dores no pé da barriga. E, ao invés de repousar,  tenho que ficar correndo atrás disso”, disse a publicitária.

OUTRO LADO

Em nota, a Unimed Paulistana informa que “os clientes que tiverem consultas, exames, procedimentos e atendimento negados pela rede de credenciados (hospitais, clínicas e laboratórios) devem entrar em contato com a Central de Atendimento pelos números: (11) 3113-0800 ou 0800 9402345 para que sejam encaminhados para outro local de atendimento”.

No caso das maternidades Santa Joana e Pro Matre, a Unimed recomenda que as clientes procurem o hospital Santa Helena.

“A Unimed Paulistana esclarece que, em virtude dos últimos acontecimentos, está reunindo todos os esforços para garantir o atendimento a seus beneficiários durante o período de transição, até que seja definido para qual operadora repassará a sua carteira de clientes”, diz a empresa.

Na nota, a empresa diz ainda que os clientes precisam manter o pagamento do plano de saúde em dia “como forma de preservar os direitos que lhe são assistidos por lei”.
Andrezza diz pagar R$ 700 mensais de plano de saúde. “Queria saber para onde vai o dinheiro que pagamos”, questiona.

Procurada pela reportagem na quinta-feira, o Santa Joana não se pronunciou.

2 comentários:

  1. Infelizmente perdi meu bebê com 10 semanas e fui obrigada a ir ao hospital santa helena, fiquei dois dias dentro do C.O., pois não tinha vaga nos quartos... em uma sala que caberiam 4 macas (e só para recuperação da cirurgia) estavam 6 mulheres que tinham acabado de ter os bebês, esperando um quarto que não ia abrir vaga. o medico só fez a curetagem depois que fiz um escândalo por estar mais de 27 horas em jejum. internei e tive alta na sala de pré parto... uma tristeza... me trataram como lixo, só porque perdi meu bebê...

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  2. Estou na mesma situação! Estou grávida de 33 semanas, minha quarta gestação após uma perda neonatal e um aborto espontâneo. Estou com diabetes gestacional e tenho litíase renal. Sou acompanhada por uma equipe que atendia no Hospital São Luiz do Itaim e agora, não posso ser mais atendida lá porque foi descredenciado às vésperas da resolução da ANS. Ainda não sei onde terei o bebê pois minha gestação é de risco e o único hospital disponível para partos de emergência é o Santa Helena. Não posso fazer o parto normal por risco da anestesia após cesáreas. Iria fazer um parto natural humanizado e agora não posso mais. No Santa Helena serei obrigada a fazer uma cesárea, o que é horrível para mim pois sou alérgica a muitos medicamentos pós operatórios. Além disso, não consigo fazer exames. Todos os laboratórios foram descredenciados. Apenas os CPAs da Unimed estão fazendo. É preciso chegar muitas horas antes e não há prioridade nos atendimentos.

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