sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O que fazer na recuperação judicial de empresas

   

Clientes não sabem o que fazer quando empresa anuncia recuperação judicial

Milhares de clientes da Imbra, uma das maiores empresas de tratamento odontológico do país, que gastaram R$ 20 mil, R$ 30 mil por um tratamento, foram pegos de surpresa com a falência do grupo. 

Diante da situação, o sentimento dessas pessoas vai da frustração à revolta. "Foram enrolando, enrolando, enrolando. Marcaram pra eu vir hoje. Chego aqui e está fechado", diz o aposentado Osvaldo de Moura. "Vim reclamar e a porta fechada, não tem ninguém aqui", reclama a cabeleireira Roseli Macedo.

Sônia Oliveira Barbosa não escondia a frustração. "Era a coisa que eu mais sonhava. Era um sonho que eu tive." "Eu só queria meus dentes, mais nada. Olha o que foi que eu ganhei: um par de algemas", dizia, revoltado, o comerciante Marcos Pereira Lacerda.

O pedido de recuperação judicial

Na quarta-feira, dia 6 de outubro, a Imbra, cuja sede fica em São Paulo, declarou à Justiça possuir uma dívida que não tem como pagar, no valor de R$ 221 milhões.

No Brasil todo, 27 clínicas foram fechadas e 25 mil clientes ficaram sem explicação e com um enorme prejuízo. "Me cobraram R$ 17 mil", conta Lacerda. “R$ 12 mil. Paguei à vista, adiantado", relata Moura.

Muita gente foi à clínica na zona sul de São Paulo com consulta marcada sem saber que a Imbra tinha pedido autofalência e encontrou a porta fechada e o prédio vazio. Só nesta unidade, cerca de 1.500 pessoas ainda estão em tratamento. Muitas fizeram cirurgias delicadas na boca e precisam retirar os pontos. Outras, não viam a hora de colocar a prótese definitiva, mas, o tão sonhado sorriso novo, pode agora virar um pesadelo sem fim.

"A gerente me falou que realmente tinha falido e que era para todo mundo pegar suas coisas e ir embora", conta a funcionária Françoise Gomes Pereira.

"Devia ter umas 15 pessoas na sala de espera. Acredito que uns 6 pacientes sendo atendidos", enumera a dentista e gerente da Imbra Daniela Velho.

A maior procura dos pacientes era por implantes dentários - tratamentos muito caros, que utilizam peças de titânio para sustentar dentes artificiais que substituem aqueles que já foram perdidos.

Marcos Pereira Lacerda contratou um tratamento de R$ 17 mil na Imbra do Morumbi, bairro nobre de São Paulo. "Na unidade do Morumbi só vai gente rica, não vai fechar. Cheguei lá, eu vi a porta fechada, eu entrei em desespero, entrei em desespero."

Pereira, que já tinha passagem pela polícia por porte ilegal de arma, foi detido em flagrante quando levava da clínica um monitor de computador e dois microondas. "Para eles não faz diferença R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 17 mil, mas para mim faz. Eu vendo sorvete para poder pagar isso aí", desabafa.


Propaganda enganosa

A Imbra estava na mira do Conselho Regional de Odontologia desde 2008, por conta das propagandas agressivas.

"Convidando as pessoas para consultas gratuitas. Chegava nas clínicas, e o pessoal treinado por esses empresários e induziam os clientes a assinarem cheques pré-datados", relata o presidente do conselho em São Paulo, Emil Adib Razuk.

A propaganda atraiu a família Avelino, de Taboão da Serra, município da Grande São Paulo. "Ganhamos juntos uns R$ 3 mil. Pagamos R$ 1,2 mil de dente", conta a cuidadora de idosos Adriana de Souza Avelino.

Foram 24 cheques de R$ 1,2 mil cada para pagar um tratamento de mais de R$ 27 mil. Donizete é caminhoneiro. Extraiu cinco dentes e espera o implante de nove. Por enquanto, está com dentes provisórios.

"A clínica agiu de má fé, porque se ela sabia que não estava indo bem, como ela foi fazendo tratamento e pegando vários cheques, com vários clientes?", questiona Adriana.

"A maioria não entende que a gente não tem culpa. Eles acham que a gente já sabia e não avisou nada. Fomos pegos de surpresa, até mais que os clientes, porque esperávamos que tudo isso ia normalizar", desabafa a funcionária Letícia Contreras.

Uma semana antes de pedir falência, a diretoria da Imbra comunicou por e-mail aos dois mil funcionários que não pagaria o salário - era o terceiro mês seguido de atraso nos pagamentos. Em casos de falência, a Justiça determina o leilão dos bens da empresa para pagar primeiramente as dívidas trabalhistas.

"Credores trabalhistas estão na ordem de preferência em primeiro lugar”, avisa Luiz Antonio Miretti, advogado especialista em falências.

A dívida com os clientes só será saldada caso sobre dinheiro. "Existe a possibilidade de o consumidor não conseguir reaver esse valor pago a Imbra", alerta Maíra Feltin Alves, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

O paciente que se sentir prejudicado deve recorrer à Justiça.

"De 2006 até hoje paguei de R$ 26 mil a R$ 30 mil para tentar recuperar os dentes”, fala a dona de casa Sumiê Suzuki. A dona de casa não aceita o prejuízo. Em busca de uma resposta, ela liga para o dentista que fez o tratamento na Imbra: 

Sumiê: - Poxa, eu paguei valor de R$ 30 mil, doutor.
Dentista: - A senhora já tinha pago, né?
Sumiê: - Já paguei tudo! 
Dentista: - Ai meu deus! 

A dentista e gerente da Imbra Mariana Terreri relata que boa parte dos pacientes está com o tratamento pela metade. "Risco tem. De vida, não. Mas de perder o implante, de perder a prótese, da prótese não ficar boa", admite.

A Imbra foi comprada há apenas quatro meses pela empresa Arbeit. “A Imbra não deu um golpe nos pacientes. Quando nossos clientes tomaram posse na empresa, encontraram uma quebra de caixa de mais de R$ 100 milhões", diz o advogado Esper Chacur Filho, representante da Arbeit.

O grupo GP, antigo dono da Imbra, respondeu por meio de nota que o novo comprador teve tempo suficiente para avaliar a situação da Imbra e que durante a sua gestão atendeu os pacientes sem atraso e pagou os funcionários em dia.

A Imbra colocou o telefone (11) 3867-5750 à disposição dos pacientes que quiserem retirar seus prontuários nas clínicas. Segundo o advogado, a Imbra também encaminhou ao juiz mais de R$ 8 milhões em cheques pré-datados de seus clientes, que não serão descontados.

Quem quiser concluir o tratamento, terá que gastar ainda mais. "Eles vão ter que procurar outras empresas odontológicas, outros dentistas que possam vir a atendê-los", fala o advogado (...).

"Eu deixei de fazer coisas que eu falei: não, nesse ano, prioridade é o dente", diz Adriana Avelino. "No fim, nós caímos num conto”, lamenta Sumiê Suzuki.

Fonte: Portal G1


7 comentários:

  1. Comprei uma passagem com a GO TO LONDON SãoPaulo/Dublin no dia 17 de Novembro e hoje 01/12/15 fiquei sabendo que a empresa fechou, tenho os tickets impressos mas fui comunicado também caso não queira perder o mesmo tenho que repagar os tickets que me custaram 3.074 reais, pois a GO TO LONDON não repassou o valor para a companhia aéria no caso a Britsh Airways.

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  2. Em junho/julho fechei um pacote com a Gotolondon, eles atenderam super bem, a consultora Angela Alves foi bem prestativa. Já realizei todos os pagamentos tenho o e-Ticket e ja estava tudo certo. Porém na data de hoje 30/11 recebi a noticia que a empresa solicitou Recuperação Judicial e agora todos os meios de comunicação estão fora do ar (Site, telefone, e-mail, Facebook, Skype What's Up).
    No comunicado enviado a empresa não da informações concretas, não estipula prazos, nem nada do tipo. Minha viagem é em Março e agora não sei como ficara. Na Recuperação Judicial pelo que entendi as empresas visam pagar funcionários e depois credores, porém não consegui chegar a um prazo para isso. Espero ter uma resposta logo.

    GOTOLONDON INTERCAMBIO E TURISMO LTDA, CNPJ 08.331.297/0001-80, Embratur MG 11.002965.10.0001-1.

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  4. Agência sumiu com o dinheiro dos cliente
    Gotolondon
    Resende - RJ Terça-feira, 01 de Dezembro de 2015 - 21:36
    No dia 21/10/2015 fechei um pacote de intercambio no valor de R$7590,00 com a agência Gotolondon CNPJ:08.331.297/0001-80
    Após muita pesquisa e confirmação da idoneidade da empresa que estava há muitos anos no mercado, e possuía recomendações, fiz o pagamento do valor integral.
    Porém, no dia 23/11 despretenciosamente estou nas redes sociais e vejo mensagem de uma cliente da agência revoltada, descobri dessa maneira que a empresa havia simplesmente desaparecido, apagou todos os contatos das redes sociais, site onde constavam nossos comprovantes, nenhum funcionário atendia ou se comunicou para dar qualquer satisfação. Apenas um recado cínico no site da empresa dizendo que estavam "suspendendo as atividades" e iriam entrar com pedido de recuperação judicial. Nenhuma preocupação com os clientes que lesaram!!

    UM VERDADEIRO GOLPE!!!!

    Descobri, através de contato com outros clientes que foram prejudicados , que no mesmo dia que fizeram o anúncio de fechamento ainda receberam pagamento de outras vítimas. Difícil acreditar que não foi tudo premeditado!

    Há vários clientes nessa situação. Me sinto humilhada por investir tanto dinheiro e perder dessa maneira.
    Tenho pouca esperança de reaver meu investimento até a data da minha passagem, que já está comprada, mas com certeza farei de tudo para que mais desse não passe impune.

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  5. Paguei um curso de Intercambio na Irlanda, no dia 15 de janeiro, o curso era para comecar no dia 4 de fevereiro, nao pude comecar o curso por motivo de forca maior e tive que retornar ao Brasil, no dia 25 de fevereiro contatei a empresa para cancelamento do curso e somente dia 03 de marco pude retornar ao brasil, pois a empresa aerea IBERIA estava em greve, chegando aqui a empresa disse que eu tinha direito somente se eu fizesse isso 40 dias antes do curso, mas nao tive esses apenas 20 dias antes do curso comecar, depois eles alegaram que eu tinha que fazer isso antes dos 30 dias depois do inicio do curso, e foi feito 21 dias depois, mas mesmo assim eles dizem que eu nao tenho direito de cancelar o curso e receber uma parte do valor total do curso de volta..
    NAO QUERO O VALOR TOTAL, SEI QUE TENHO QUE PAGAR UMA MULTA CONTRATUAL QUE ESTAVA ESTIPULADO NO CONTRATO, MAS MESMO ASSIM ELES NAO QUEREM PAGAR UM DIREITO MEU....

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  6. Procurei uma colaboradora do gotolondon chamada Lorena. Ela me vendeu um seguro viagem de 3 meses valor de 409 reais. Feito o pagamento. Tentei entra em contato com a mesma. Todos os meios de contato sumiram. Facebook, WhatsApp, número de telefone o escanbal. Entro no site e não funciona. Quero saber o que vai ser feito para devolver meu dinheiro.

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  7. Essa empresa sumiu e levou meu dinheiro junto. Paguei por um pacote e não tive nem sequer como reclamar pois todos os telefones foram tirados do ar. Não sei o que fazer.

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