quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Chineses investem em leilão de imóveis portugueses

 





Por Bloomberg



Portugal é o alvo mais recente dos investidores chineses, que vêm adquirindo edifícios ao redor do mundo, aproveitando que a China está permitindo um movimento mais livre de fundos dentro e fora do país




Portugal é o alvo mais recente dos investidores chineses, que vêm adquirindo edifícios ao redor do mundo, aproveitando que a China está permitindo um movimento mais livre de fundos dentro e fora do país
















São Paulo - Em uma sala lotada em Lisboa, no mês passado, caçadores de pechinchas aguardavam o início de um leilão de propriedades. Um idioma dominava as conversas: o mandarim.

Cerca de 90% dos lances pelos apartamentos e lojas do governo em oferta foram feitos por chineses, segundo Jorge Oliveira, funcionário responsável pela venda de ativos. Eles acabaram adquirindo mais de dois terços das 45 propriedades, disse ele.

“Um investidor português comprou uma loja para montar uma padaria e uma cafeteria, mas a maior parte foi para os chineses”, disse Oliveira, em entrevista, após a venda.

Portugal é o alvo mais recente dos investidores chineses, que vêm adquirindo edifícios ao redor do mundo, aproveitando que a China está permitindo um movimento mais livre de fundos dentro e fora do país. Os chineses responderam por quase uma em cada cinco propriedades adquiridas por estrangeiros em Portugal durante os nove primeiros meses do ano, segundo a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, com sede em Lisboa.

Bing Wong, de 52 anos, um dono de imóveis de Xangai que participou do leilão de 24 de outubro, vem comprando propriedades em Lisboa para criar uma rede de lojas com o objetivo de atender a maior concentração de chineses residentes em Portugal.

“Lisboa é barata se comparada com outras cidades”, disse ele. “A economia está melhorando e há alguns bons negócios para fazer por aqui”.

As lojas da Rua Bond, em Londres, são cerca de 25 vezes mais caras do que estabelecimentos equivalentes de áreas comerciais centrais de Lisboa como Chiado ou Avenida da Liberdade, segundo Darren Yates, chefe de pesquisa de mercados globais de capitais da Knight Frank, em Londres. Os aluguéis da rua Bond custam cerca de 10.000 euros (US$ 12.600) por metro quadrado, cerca de 10 vezes mais que o custo para alugar um espaço comercial de alto padrão em Lisboa, disse Yates.

O investimento em propriedades comerciais em Portugal subirá para 800 milhões de euros neste ano, contra 322 milhões de euros em 2013, segundo a corretora Cushman Wakefield.

Portugal está saindo lentamente de um período de três anos de austeridade após encerrar, em maio, um programa de resgate de três anos. A capital está pavimentando o caminho, enquanto uma explosão do turismo fornece o dinheiro - e um incentivo extra - para a renovação de quarteirões inteiros de edifícios que estavam em decadência.

Para os compradores de fora da União Europeia também existe a perspectiva de se conseguir um visto. Os investidores chineses são os principais beneficiários do programa de vistos em troca de propriedades de Portugal, que permite a quem adquire imóveis avaliados em 500.000 euros ou mais morar no país e viajar livremente pela UE.

Os formuladores de políticas da China tornaram mais fácil para os investidores a transferência de dinheiro para dentro e para fora do país, em uma tentativa de ampliar a estatura global do yuan. Embora os chineses ricos adquiram imóveis caros há anos em mercados como Nova York, Londres, Sydney e Vancouver, as novas medidas incentivaram investidores individuais e suas famílias a comprarem propriedades em mercados como Portugal, onde há uma concorrência menor pelos ativos.

Os ofertantes chineses poderão continuar parabenizando uns aos outros pelas compras por algum tempo, a menos que a recuperação de Portugal comece a ganhar força. Com uma taxa de desemprego de 13,9% e anos de aumentos tributários, a maior parte dos investidores locais é incapaz de superar as ofertas de seus colegas chineses.

“É óbvio que os portugueses não podem competir com os investidores chineses nesses leilões, porque eles não têm dinheiro disponível para gastar”, disse Nuno Durão, chefe da empresa imobiliária Fine Country, especializada na venda de imóveis residenciais de luxo. “As salas de leilões de propriedades de Lisboa estariam vazias se não fossem os compradores estrangeiros”.


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