sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ações contra construtoras cresceram mais de 1000%; veja as mais reclamadas

 



PDG é a construtora com maior número de reclamações

Por Juliana Américo Lourenço da Silva 

SÃO PAULO – As ações movidas contra as construtoras e incorporadoras subiram 1.686% desde 2008, passando de 150 para 2.527. De acordo com o levantamento realizado pelo escritório Tapai Advogados, a maioria das reclamações está ligada a atraso na entrega da obra.
Os dados mostram que de 2008 para 2012 houve uma mudança no cenário da construção civil e as empresas que eram consideradas sólidas estão sofrendo com a falta de organização, lançamento e vendas acima da capacidade produtiva.
Para o advogado especialista em direito imobiliário, Marcelo Tapai, o que motiva o número crescente de ações é o comportamento arrojado das construtoras, que aproveitam o aquecimento do mercado imobiliário para lançar imóveis sem controle e planejamento, visando o próprio lucro. “Muitas empresas apostaram na impunidade para transformar o mercado imobiliário brasileiro em um fenômeno de atrasos, promessas descumpridas e consumidores desesperados”, afirma.

Total de reclamações atingiu 2.527 em 2012 (Getty Images)
Total de reclamações atingiu 2.527 em 2012 (Getty Images)

Por outro lado, os consumidores lesados têm buscado na Justiça a reparação dos prejuízos e o Judiciário tem garantido aos compradores indenizações justas.
Top 10Entre as empresas analisadas, a campeã de reclamações é a PDG, com 933 ações no período da pesquisa. Em seguida aparecem a Tenda, com 733 ações, e a Gafisa, com 679. Vale destacar que a Gafisa adquiriu a Tenda em 2008, por isso o número de reclamações das duas juntas somam mais de 1.400.
Veja a lista das 15 empresas com mais reclamações:
Ações contra Construtoras e Incorporadoras
EmpresaReclamações em 2008Reclamações em  2009Reclamações em  2010Reclamações em  2011Reclamações em  2012Total de reclamações
Fonte: Tapai Advogados
PDG122768244582933
Tenda53135155191199733
Gafisa4473157168237679
MRV115813392185479
Rossi051384250352
Cyrela22276354153319
Camargo Correia36569230313
Ecoesfera05497290216
Even22845141198
Tecnisa02121125149
MaxCasa0043594133
Trisul1456161132
CR21121193108
Mudar112131863107
Tiner00002424
Posicionamento

Sobre os dados da pesquisa, a PDG informou em nota que está inteiramente mobilizada para entregar as obras em execução com o intuito de corresponder às expectativas dos seus clientes. Já a Tenda não reconhece as informações divulgadas pelo advogado, já que esse números não refletem a realidade da companhia e esclarece ainda que todos os empreendimentos que estavam em atraso na capital paulista foram entregues em 2012.
A Gafisa também não reconhece os números apresentados pelo advogado, sejam eles relacionados ao atraso de obras ou de qualquer outra natureza. Assim como a Tecnisa, que informou não se manifesta acerca de dados de pesquisas de fontes não oficiais.
A Even respondeu que prefere não se pronunciar pois desconhece a metodologia adotada na pesquisa. A Camargo Correia disse que trabalha pautada pelo compromisso com a qualidade e responsabilidade com seus clientes.
A Rossi afirmou que sempre atuou de maneira ética e transparente com todos os seus públicos.  
A Ecoesfera informou se dedicar para minimizar o impacto do atraso da entrega das obras aos seus clientes e a MRV disse que os índices de reclamação são pequenos se comparados ao número de unidades construídas e que tem se empenhado para solucionar todas demandas que surgem, mantendo um canal de Relacionamento com Clientes à disposição.
Já a CR2, Cyrela, MaxCasa, Mudar, Tiner e Trisul  não se manifestaram até o fechamento da reportagem. 


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