quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Em São Paulo, Amil lidera ranking de reclamações

 
23/07/2012 - 05h30

CLÁUDIA COLLUCCI

TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO


Gemendo de dor por conta de uma grave infecção no olho direito, Rita Coutinho Nigro, 79, esperou quase cinco horas no PS do Hospital Cema, na zona leste, para fazer uma tomografia na última segunda-feira.

Segundo Luiz Carlos Nigro, filho dela, o plano, Prevent Senior, havia negado o procedimento alegando que o contrato dava direito só à consulta no pronto-socorro, e não a exames complementares a ela.

A tomografia acabou sendo feita à revelia do plano, segundo o hospital. A Prevent Senior diz que não negou.

No dia seguinte, Sueli Gonçalves Jacob enfrentava drama parecido ao tentar a internação do irmão, Walter Jacob, doente terminal de câncer.

Cliente da Greenline, ele passou mal na segunda e a família tentou interná-lo. Mas, segundo Sueli, o plano disse que o contrato não previa ambulância e orientou a família a ligar para o Samu, que o transportou até um hospital mais próximo.
Editoria de Arte/Folhapress
Doze horas depois, a família ainda esperava que o plano o transferisse para um hospital oncológico. A Greenline diz que não houve recusa.

Problemas com os contratos, como ocorreu com Rita e Walter, são os campeões em atendimentos no Procon-SP.

O órgão registrou, apenas no primeiro semestre de 2012, 6.120 atendimentos - entre dúvidas e reclamações - sobre planos de saúde. O número é maior do que os feitos no 2º semestre de 2009 (5.440) e no 1º semestre de 2010 (6.085).

O Procon-SP fez um ranking, exclusivo para a Folha, com as operadoras que receberam mais queixas neste ano. O Grupo Amil (que possui as operadoras Amil, Amico, Dix e Medial) lidera.

Ele aparece com quase o dobro do segundo colocado, a operadora Greenline.

Neste mês, o Procon convocou as duas empresas para firmar um plano de metas. A Greenline se comprometeu a reduzir as reclamações em 15%; já o Grupo Amil, em 5%.
Para o assessor chefe do Procon-SP, Renan Ferraciolli, quando a empresa assume um compromisso agressivo significa que ela "confia no seu serviço de atendimento ao consumidor". "Por outro lado, compromissos pífios demonstram verdadeiro descaso."

RESOLUÇÃO

Na média, as operadoras resolvem 77% das queixas que chegam ao Procon-SP.
Para o assessor do órgão, isso demonstra que, se as empresas tivessem um atendimento ao consumidor mais eficaz, a maioria das reclamações nem chegaria ao órgão.

"Em 99% dos casos, as reclamações chegam ao Procon-SP após exaustivas tentativas de resolução no serviço de atendimento. Quando o órgão cobra um resultado da empresa, as queixas são resolvidas."

OUTRO LADO

Primeira colocada na lista do Procon-SP, a Amil afirma que tem a maior rede do país, que o levantamento do órgão é sobre o total de reclamações, independente do número de beneficiários, e que cumpre a legislação.

A Greenline diz que, no último ano, ampliou a rede em cerca de 60%, enquanto a alta nos beneficiários foi de 30%.

A Intermédica diz que até 2011 teve o menor número de queixas entre as cinco maiores. A Unimed Paulistana diz que atende a todas as reclamações. Já a Golden Cross, afirma que é bem avaliada pela ANS em tempo de atendimento.

A Bradesco diz que as queixas correspondem a um percentual mínimo em relação ao número de clientes e que cumpre os critérios da ANS.

A Prevent Senior afirma que a maioria dos casos é solucionada, e a SulAmérica diz que está abaixo da média de reclamações.

Todas as operadoras afirmam ter uma rede adequada e em constante ampliação. Itálica, Universal e Trasmontano não se pronunciaram.

Mais informações.

4 comentários:

  1. A realidade dos planos de saúde no Br:
    -realidade1: os planos estão falidos
    -realidade2: o SUS paga aos hospitais mais que os planos
    -realidade3: o SUS atende mais rápido que os planos (absurdo invertido)
    -realidade4: quem paga em dinheiro vivo, não tem fila de espera
    Resumo:não faça plano de saúde, deposite na poupança o valor mensal e use odinheiro quando precisar. Com essa grana se faz milagres com hospitais emédicos e a preços acessíveis, pra quem pensa que é caro.

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  2. Porque será que a Amil não estava inclusa na relação de empresas proibidas de negociar os seus planos de saúde como foram outras operadoras? Qual será o critério da ANS? Outra coisa,com relação a Greenline,os caras são muito mentirosos quando disseram que aumentaram o atendimento para os associados.Eles diminuiram tanto que para marcar cirurgia ou um exame mais complexo a demora éra de 2 meses,Só não fiquei com problema grave na retina porque paguei a cirurgia.

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  3. Mas a solução para melhorar a saúde não era a privatização????

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  4. Para resumir toda a história, no começo do mês passado, estava me sentindo muito mal e como alguns sintomas lembravam a dengue, fui ao hospital pensando que, no pior dos casos, ficaria umas 3h por lá.
    Mas, passados 3h de espera pelos resultados dos exames (fora as 2h de espera para ser atendida), fui perguntar se esta demora era normal e atendente "surpresa" foi verificar se algo estava errado. Perguntei se poderia fazer o teste da dengue, mas ela não soube me informar se eu iria fazer este exame. Passado mais 1h, meus exames chegaram, mas o médico que me atendeu não estava mais por lá e tive que entrar na fila de outra médica. Felizmente, o médico voltou.
    No total fiquei 6h no hospital para receber um diagnostico digno do atendimento do hospital: "Não sabemos o que a senhora tem. Caso sinta mais sintomas, volta daqui a dois dias."
    Eu acreditava que o dia desagradável que tinha tido no Hospital 9 de Julho já tinha atingido o seu ápice e que pior não poderia ficar. Mas, quase 1 mês depois, fui surpreendida por uma cartinha da tesouraria do hospital.
    A carta refere-se a uma dívida que possuo com o hospital. Descobrir que o teste da dengue, o dito cujo que não sabiam se eu iria fazer ou não, tinha sido feito e que eu deveria pagar.
    Não discordo em pagar por um serviço que o meu plano não cubra, mas discordo completamente que realizem o exame e não me informem que eu era a responsável pelo pagamento do mesmo. Nenhum momento que estive nas minhas longas 6h de mal estar no hospital, vieram me informar deste procedimento. E mais absurdo ainda é que só fiquei sabendo que o exame foi realizado atrás da cobrança desta carta.
    Sendo assim, venho aqui mostrar a minha indignação e o quanto me sinto [editado pelo Reclame Aqui] por ter sido feita de besta.
    Em relação a cobrança, quero que me provem que concordei em realizar e a pagar pelo exame. Caso contrário, não irei pagar e irei atrás dos meus direitos.

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