segunda-feira, 23 de abril de 2012

Veja cuidados financeiros na hora de construir a casa própria

17 de abril de 2012 • 11h31 Por: Diego Lazzaris Borges


SÃO PAULO – Com a ascensão financeira das classes sociais mais baixas, o sonho da casa própria está cada vez mais presente na vida dos brasileiros. Comprar um apartamento ou uma casa pronta é uma das maneiras de atingir o tão sonhado objetivo, mas muitas pessoas também acabam optando por construir a sua própria residência, com as características que mais lhe agradam.

Para o educador financeiro e gerente-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores), Mauro Calil, quem optar por construir deve fazer um planejamento para que a obra comece e termine dentro do prazo determinado.

“Sou radicalmente contra a ideia de 'construir aos poucos'. A questão de ‘não apertar o orçamento’ não me parece real, pois a obra só para quando há algum problema orçamentário”, afirma Calil. “Colocado assim, 'construir aos poucos', parece-me algo colocado em segundo plano e não uma das mais importantes conquistas na vida de todas as famílias, que é a casa própria”, continua o educador financeiro.

Desastre financeiro
Para Calil, construir um imóvel sem planejamento, começando e parando a obra sempre que se tem algum problema orçamentário, é um “desastre” do ponto de vista financeiro.

“Ao começar uma obra, retira-se dinheiro de uma aplicação financeira, que rende juros, para comprar tijolos. Se você tinha R$ 20 mil, que renderiam R$ 100 em um mês ou R$ 1.200,00 em um ano (por exemplo), agora tem 1.000 tijolos assentados (ou menos), que serão 1.000 tijolos tanto em um como em 12 meses. Ou seja, dinheiro aplicado acelera a obra, mesmo que o início dela se dê meses depois”, aponta.

De acordo com ele, muitas pessoas usam o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) como argumento para começar a obra rapidamente, sem planejamento. “Os incautos pensam que, se não comprarem agora, não poderão comprar amanhã, pois o preço de tijolo, areia, cimento, argamassa, tinta ficará maior”, diz.

Entretanto, este exemplo deve ser visto com cautela. “Se o preço do tijolo aumenta a ponto de você não poder acompanhá-lo, significa que sua obra parará e você ficará sem a casa e sem o dinheiro aplicado”, lembra o educador financeiro.

Desperdícios
Além disso, Calil ressalta que quando se constrói desta maneira, a obra fica mais cara. “Muito do serviço iniciado fica comprometido pela ação de sol e da chuva, desperdícios de material se multiplicam e a retomada exigirá novas compras e contratação de outra equipe, que sempre achará algum defeito naquilo que os outros fizeram, exigindo reparos”, ressalta.

Por isso, Calil aconselha que, caso não tenha o valor à vista para a construção, se utilize consórcios para compra de material e contratação de mão de obra, inclusive arquitetos e engenheiros. “Caso tenha tempo, sugiro fazer um plano financeiro de poupança e aplicações financeiras sofisticadas e turbinadas para acelerar seu projeto de modo que comece e termine dentro do prazo e de suas expectativas”, conclui.
 

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