quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SUS e planos de saúde substituirão silicone rompido

O governo anunciou ontem que a troca de implantes das marcas PIP e Rofil por novos será garantida por planos de saúde e pelo SUS, em caso de rompimento.

"O governo entende que a ruptura desses implantes implica em cirurgia reparadora de substituição", disse Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), após uma reunião com os ministérios da Saúde e da Justiça e entidades médicas.

O suporte, de acordo com Barbano, independe de a cirurgia original ter sido feita para fins estéticos.

Até aqui, o Ministério da Saúde informava que o SUS bancaria a substituição do implante rompido apenas para mulheres que recorreram à cirurgia como reparação após uma mastectomia. Para as demais, a rede pública poderia só retirar a prótese danificada, dizia a pasta, sem colocar uma nova.

"A própria presidenta [Dilma Rousseff] coloca: é uma contradição um governo que tem foco principal na saúde da mulher não amparar as mulheres", disse Barbano.

Ele negou que o governo esteja, com a nova postura, assumindo responsabilidade pelas trocas já feitas. "Está assumindo a responsabilidade de amparar as mulheres que receberam um implante com problemas."

Nas próximas semanas, o governo vai fazer um "chamamento público" de mulheres que têm implantes mamários PIP, Rofil ou que não sabem a marca -universo estimado em 20 mil pessoas.

A ideia é que essas mulheres se submetam a exames em serviços de saúde indicados pelo governo para identificar eventual rompimento da prótese. Confirmada a ruptura, a troca será realizada.

Se o silicone estiver intacto, a mulher terá um acompanhamento especial. A orientação do governo brasileiro hoje é a de que a troca só deva ocorrer após identificado o rompimento.

Wanda Elizabeth, representante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica na reunião de ontem, diz que as diretrizes para o chamamento e o atendimento dessas mulheres devem ser divulgadas na próxima quarta-feira.

O diretor da Anvisa afirmou que não há data estipulada para o início do atendimento, mas que isso deve ocorrer no curto prazo.

PLANOS

Segundo Barbano, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar, que lida com os planos de saúde) se reuniu com o ministro Alexandre Padilha (Saúde) nos últimos dias. ANS e planos, afirma ele, terão uma atitude cooperativa nessas substituições.

A FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), que representa 15 das maiores operadoras de planos, informou que a cirurgia é considerada reparadora e que cumprirá o que está previsto no rol de procedimentos da ANS, mas não se pronunciou especificamente sobre a colocação de novas próteses mamárias.

Elizabeth disse que houve consenso entre entidades e governo sobre a necessidade da substituição do silicone e que não há brecha para reclamação dos planos de saúde. "É uma determinação do governo brasileiro."

A reunião também tratou da criação de cadastros de próteses e de mulheres que realizaram implantes mamários além da vistoria de fábricas de silicone, decisões antecipadas ontem pela Folha.

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

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