segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cobertura: Cirurgia Fetal a Céu Aberto

processo cirurgia fetal ceu aberto

Médicos tratam doenças antes do nascimento e desvendam segredos sobre a vida do feto

medicina não pára de surpreender. Em sua última edição, a respeitada revista The Lancet anunciou a realização da primeira tentativa bem-sucedida de reparar a espinha bífida, um dos mais comuns e devastadores defeitos congênitos, ainda no feto. O problema, que pode ocorrer no primeiro mês de gravidez, foi detectado com um exame de ultra-som. Os médicos da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, fizeram um corte na barriga da mãe no quinto mês de gestação e suturaram a fenda na pele que deixava expostos nervos em torno da coluna vertebral do futuro bebê. A cirurgia não significou a cura, mas os médicos esperam que o bebê, hoje com 6 meses de vida, possa andar mais tarde.

Pequenos milagres como este são raros, mas tendem a tornar-se mais freqüentes. Preste atenção nas fotos desta reportagem. Tiradas com uma microcâmera acoplada a uma sonda intra-uterina pelo fotógrafo sueco Lennart Nilsson, elas mostram o quanto já se conhece sobre pequenos seres em formação. O feto de 11 semanas da foto ao lado, por exemplo, já tem a coluna vertebral e faz movimentos involuntários ainda imperceptíveis para a mãe. Graças a fotos como essa e às modernas técnicas de ultra-sonografia, o obstetra pode enxergar, com imagens tridimensionais coloridas, até o movimento ocular do futuro bebê. Sabe também como evolui cada etapa da gestação e o que pode dar errado. Operações como a feita com o bebê americano são possíveis, embora muitos médicos prefiram evitá-las por temer suas conseqüências para o feto e o risco à saúde da mãe.

Muito já se evoluiu desde os anos 80, quando pela primeira vez, guiados pelo ultra-som, médicos franceses introduziram uma agulha no ventre de uma mulher grávida, alcançaram o cordão umbilical e, por meio dele, fizeram uma transfusão sanguínea no feto com anemia causada pela incompatibilidade de fator Rh do sangue da mãe com o do filho - procedimento hoje considerado de rotina. Em 1989, cientistas da Universidade da Califórnia foram mais ousados: fizeram as primeiras cirurgias a céu aberto, nome dado à operação envolvendo o corte do útero, como no caso da espinha bífida. Foram operados 13 fetos que sofriam de hérnia de diafragma, tumores ou problemas no sistema renal. Embora bem-sucedidas, essas cirurgias não são recomendadas com freqüência.

Além do risco de aborto, não se conhecem os efeitos de tais intervenções na vida do futuro bebê. Nem mesmo quais são as impressões dessa experiência desagradável em um ser humano em formação. As controvérsias a esse respeito são muitas. Quem reunir ginecologistas e obstetras e pedir a opinião de cada um deles sobre a existência da dor no feto assistirá a uma discussão interminável. "Até o sétimo dia de vida, as vias sensitivas do bebê não estão totalmente revestidas de mielina, uma substância neurotransmissora", afirma o geneticista Thomaz Gollop, diretor do Instituto de Medicina Fetal e Genética Humana de São Paulo. "Sem essa substância não há como sentir dor." Outros médicos discordam. Segundo o ginecologista Antônio Fernandes Moron, da Universidade Federal de São Paulo, na 12a semana de gestação as vias sensitivas da pele já estão conectadas à medula espinhal. "Se você espetar uma agulha, o feto reage", afirma Moron, que já realizou 54 cirurgias intra-uterinas, todas com anestesia.

Infindável, a discussão tem como base as fases do desenvolvimento do sistema nervoso durante a vida uterina. "Sabemos que o feto é um ser inteligente, sensível e tem capacidade mental", afirma a psicanalista paulista Joanna Wilheim, presidente da Associação Brasileira para o Estudo do Psiquismo Pré e Perinatal. Ela acredita que as experiências, os sustos e o estresse do pequeno ser vão influir na vida dele após o nascimento. "O feto sente o mundo a sua volta tanto quanto os bebês", compara. Quando a mãe leva um susto, a descarga de adrenalina em sua corrente sanguínea influi no comportamento do feto. Da mesma forma, o carinho ou o desprezo da mãe, os barulhos a sua volta, o gosto do líquido na barriga, tudo deixa uma marca indelével. Experiências desagradáveis são registradas e podem provocar distúrbios psicológicos graves - até mesmo esquizofrenia e autismo - na futura criança, afirmam especialistas. O estágio na barriga da mãe é a origem da capacidade do aprendizado humano.

O Brasil tem acompanhado a evolução no campo da psicologia e das cirurgias fetais. Já foram realizadas quase 100 intervenções, por enquanto, apenas de correção de pequeno número de doenças. O cirurgião cardíaco Renato Assad, do Instituto do Coração de São Paulo, espera fazer em breve um implante de marcapasso em fetos que sofrem de bradiarritmia, batimento lento do coração que pode levar à morte. "Já temos o aparelho adequado, só falta o paciente ideal", diz. Há dez anos com pesquisas nessa área, Assad procura também um meio de desobstruir as válvulas cardíacas - cirurgia só possível com um aparelho de circulação extracorpórea, ainda em desenvolvimento.

Para corrigir defeitos como esse, muitos médicos preferem recorrer às cirurgias percutâneas, feitas com a introdução de um trocarte (haste metálica oca) no útero. Elas são menos arriscadas e não agridem tanto a mãe. Dezoito operações desse tipo já foram realizadas até hoje, duas delas no Brasil. Em 1993, a cardiologista pediátrica e fetal Lilian Lopes, do Hospital das Clínicas de São Paulo, fez a segunda intervenção no mundo ao operar um feto de 5 meses com entupimento na válvula aórtica. A médica sanou o problema colocando um cateter-balão no coração do feto. "A criança estava em pré-óbito e sobreviveu", recorda-se. Mas, no primeiro dia de vida, foi submetida a uma cirurgia definitiva e não resistiu.

As intervenções percutâneas também são indicadas para drenagem de líquido em excesso da bexiga, da caixa torácica ou do cérebro, que colocam a vida do futuro bebê em perigo. Nos três casos, o médico coloca o trocarte na barriga da mãe e implanta um cateter no órgão afetado para drenar o líquido. "Essas operações são indicadas quando o feto corre risco de sofrer lesões irreversíveis e o parto não pode ser antecipado", explica Moron. Em tais casos, a videoendoscopia constitui um auxiliar inestimável. No lugar de ser orientado pelo ultra-som, o médico tem visão direta do feto por meio de uma câmera de 1 milímetro de diâmetro acoplada ao trocarte.

Se essas técnicas são preciosas, mais ainda são os exames pré-natais que detectam centenas de doenças ainda no útero. Com a coleta do líquido amniótico, de tecidos da placenta ou do sangue do cordão umbilical, é possível fazer o mapeamento genético do feto e saber se ele tem malformações, alterações fisiológicas e aberrações cromossômicas, como síndrome de Down. "Infelizmente, ainda há um descompasso entre a riqueza dos exames e as terapêuticas possíveis", diz o geneticista Walter Pinto, da Universidade Estadual de Campinas e pioneiro nos exames fetais.

Para especialistas, o útero pode ser comparado a uma sala de aula. Desde cedo os alunos já estão em plena atividade. No segundo mês de gestação, quando não mede mais que 3 centímetros, o feto é sensível ao toque e as principais áreas do cérebro já estão formadas. No mês seguinte, ele mexe os minúsculos dedos, franze a testa, suga o polegar, abre e fecha a boca e engole o líquido amniótico que o envolve. Nessa fase, o bebê já tem seu sistema gustativo desenvolvido e, de acordo com os testes, dá preferência a sabores doces.

Os ouvidos estão prontos na 24a semana, e o feto é capaz de escutar sons com maior clareza. Em algum tempo reconhecerá a voz da mãe ou do pai. Ainda no útero, define suas preferências musicais. "Experiência numa maternidade inglesa revelou que fetos de 5 meses acalmavam-se ao escutar Vivaldi e Mozart e ficavam agitados com Beethoven, Brahms e rock", afirma Joanna Wilheim. Outra pesquisa, feita na Suécia, mostrou que recém-nascidos tranqüilizavam-se ao ouvir um som similar ao batimento do coração da mãe. "Esses estudos provaram que os fetos têm memória acústica", diz Gollop.

Dos cinco sentidos, visão e olfato são os que se desenvolvem mais lentamente em função das condições particulares do ventre da mãe. Para sentir cheiro, seria preciso que houvesse ar lá dentro e, para enxergar, teria de haver luz - embora o ambiente uterino não seja de completa escuridão. Só aos 6 meses o feto abre os olhos pela primeira vez. Nessa fase, testes com uma lanterna colada ao ventre da mãe revelaram sua sensibilidade à luz. Segundo David Chamberlain, presidente da Associação Americana de Psicologia e Saúde Pré e Perinatal, a maior evidência de que os fetos enxergam é o estudo de prematuros de 32 semanas capazes de focalizar e acompanhar objetos. Mesmo antes desse período, observações de ultra-som de gêmeos de 20 semanas revelam que eles não têm dificuldade em se acomodar dentro do útero. "Apesar dos olhos fechados, parece que eles desenvolvem algum tipo de visão", diz Chamberlain.

Pesquisas recentes têm revelado claros indícios de que os bebês sonham. No quinto mês, já é possível registrar a presença do estágio de sono REM (sigla em inglês para movimento rápido dos olhos), característico de quem está sonhando. Ao final da gestação, esse estado ocorre em 65% do tempo em que o feto dorme. Segundo o neurologista Rubens Reimão, especialista em distúrbios do sono, não é possível afirmar com certeza que ele seja capaz de sonhar. "Mas sabemos que, embora a maioria dos adultos sonhe com imagens, temos sonhos sensoriais relacionados a toque, audição e deslocamento espacial. E o feto dispõe dessas sensações." Joanna não tem dúvidas a respeito disso: "É por meio dos sonhos que ele memoriza, elabora e integra os dados sensoriais de sua experiência". E dessa forma se prepara para a realidade que enfrentará depois de nascer.  
Yuri Vasconcelos

O que se pode fazer
Operações delicadas salvam a vida do bebê antes do nascimento


Cirurgia a céu aberto

Espinha bífida: Depois de anestesiar a mãe, o médico faz uma incisão na coluna do feto e corrige o defeito, uma fenda que expõe nervos da medula e deixaria fortes seqüelas.

Coração: Há duas operações - implante de marcapasso para corrigir arritmias e desobstrução de válvulas. Na primeira, o médico abre o tórax do feto e coloca o aparelho. Na outra, o bebê é ligado a um coração artificial enquanto a válvula é desobstruída.

Hérnia diafragmática: Um buraco no diafragma faz com que o intestino suba e comprima o pulmão e o coração. Com a intervenção, o problema é corrigido e os órgãos colocados no lugar.

Operações Percutâneas

Transfusão: Realizada quando há incompatibilidade de fatores Rh entre o sangue da mãe e o do feto. A troca do sangue é feita com uma agulha introduzida no cordão umbilical.

Derivativas: Quando há um acúmulo anormal de líquido na bexiga, no pulmão ou no cérebro. Com o auxílio de uma haste, o médico coloca um cateter (pig tail) nesses órgãos para drenar o volume de líquido.

Coração: Indicado para problemas de obstrução de válvulas. O médico introduz um cateter na barriga da mãe e no tórax do feto até a válvula cardíaca entupida. Lá o cateter é inflado para corrigir o defeito.

Nascendo sem traumas

De cada três nascimentos em hospitais brasileiros, um ocorre por cesariana. Mas existem outras maneiras, bem menos traumáticas, de vir ao mundo

Parto normal
É o mais indicado quando a mulher e o bebê não correm risco de vida. Apesar de doloroso, é a forma mais saudável de nascer.

Cócoras
A mãe faz 30% menos de esforço, pois fica numa posição mais confortável e lógica, que eleva em 25% sua elasticidade pélvica.

Na água
A mulher fica de cócoras em uma banheira com água morna. O bebê pode permanecer até 8 minutos na água, sem precisar respirar.

Parto Leboyer
O obstetra Frédérick Leboyer criou um método para humanizar o parto, que é acompanhado pelo pai. Ele ocorre em casa, num ambiente tranqüilo, com pouca luz e com música suave para reduzir o desconforto do bebê.

Cesariana
É indicado para gestações que tenham algum tipo de perigo. Muitas mães, com medo de sentir dores, escolhem o método, cômodo para os médicos, que podem marcar o horário do parto. A recuperação do nascimento é mais longa e dolorosa, e o risco para a mãe, maior.

Diagnóstico preciso

Exames são capazes de detectar mais de mil doenças do feto

Amniocentese
Coleta do líquido amniótico, rico em células fetais. Feito a partir da 14a semana por meio da introdução de uma agulha no ventre da mãe. Com o exame, faz-se o mapeamento genético fetal, que revela doenças hereditárias e cromossômicas (síndrome de Down). Risco de aborto: 0,5%.

Biópsia de vilocorial
Com a ajuda de um aparelho de ultra-som, coleta-se um fragmento da placenta para análise genética fetal. Pode ser feito após a 11a semana introduzindo-se uma agulha na barriga ou um cateter na vagina da mãe. O perigo de perda do feto chega a 2%.

Cordocentese
Através de punção, é retirado sangue da veia do cordão umbilical. Esse exame é realizado após a 20a semana e o risco de aborto é de 1%. Faz quase a mesma avaliação da amniocentese.

O surgimento da vida

Acompanhe as principais etapas do desenvolvimento do feto

6 semanas - O coração já está batendo. O tubo neural, que se transformará no cérebro e na coluna, está formado.

10 semanas - Ele possui todos os órgãos. São criados 250 mil neurônios por minuto. O feto tem 3 centímetros.

12 semanas - Apresenta movimentos semelhantes à respiração. Especialistas concordam que até a semana seguinte ele não é capaz de sentir dor.

14 semanas - O feto responde a estímulos e, em 15 dias, será capaz de mexer os olhos. Tem 9 centímetros e 48 gramas.

20 semanas - Ele começa a ouvir sons. As pálpebras estão formadas, mas os olhos ainda permanecem fechados.

22 semanas - O córtex cerebral está formado. Na semana seguinte, movimentos oculares indicam sonho.

26 semanas - O bebê pisca quando um foco de luz é colado à barriga da mãe. Pode sobreviver ao parto prematuro.

30 semanas - Com quase 7 meses, o feto já está maduro. Abre e fecha os olhos, chupa o dedo, chora e se mexe muito.

34 semanas - Pulmões estão desenvolvidos e 8% do peso é gordura. O útero é pequeno para o bebê, que quase não se mexe.

40 semanas - Final da gestação. Nessa fase, ele ganha até 30 gramas por dia e já está preparado para o nascimento.

Verdades e mentiras

Segredos da vida pré-natal

Durante a gravidez, o organismo da mãe tenta expulsar o feto
Verdade: Estudos revelam que o feto libera uma enzima para se defender do sistema imunológico da mãe.

Ainda no útero, o bebê chora e sorri
Em termos: A ciência ainda não conseguiu provar que expressões dessa natureza reflitam um estado de espírito.

O instinto materno é um traço adquirido com o tempo
Mentira: Testes com ratos revelaram que um gene (Mest) herdado do macho está associado à intensidade dos cuidados maternos.

Álcool, fumo e drogas na gestação prejudicam o desenvolvimento do bebê
Verdade: Fumar na gravidez pode retardar o crescimento do feto. Álcool e drogas podem causar malformações.

Com a idade, aumenta a chance de a mãe gerar filhos com mongolismo
Verdade: Aos 20 anos, uma entre 1.500 mães terá um filho com síndrome de Down. A taxa sobe para uma em 97 aos 40 anos. 
 

9 comentários:

  1. Realmente essa atitude dos planos de saúde em não liberar essa cirurgia é de fato muito pouco inteligente. Visto que, os benefecios que a cirurgia feita intraútero são infinitamente melhores e com isso diminue o custo com tratamentos, após o nascimento, para os planos.Sem contar com a qualidade de vida que essas crianças vão ter... Não tem nem o que discuti.

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  2. Alguém fez a cirurgia particular, quanto custou?

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  3. Meu filho tem hidrocefalia e fiz a cirurgia intra utero com o Dr Antonio Fernandes Moron dia 20/12. A cirurgia foi um sucesso e meu filho provavelmente nem vai precisar fazer outra cirurgia para colocar a válvula quando nascer. Foi um verdadeiro milagre!
    A cirurgia intra útero e realmente o melhor caminho.

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  4. Bebê de Mauá nasce duas vezes
    Do Diário do Grande ABC

    De olhinhos puxados e cabelo fino em forma de moicano, Nicolas, de 1 mês, irá comemorar dois aniversários em 2013. O primeiro será no dia 29 de agosto, quando cirurgia corrigiu o diagnóstico de mielomeningocele ainda no útero da mãe. O segundo será em 13 de novembro, quando ele oficialmente veio ao mundo, chorando e mexendo as perninhas como qualquer bebê normal.

    "A primeira coisa que fiz depois que o Nicolas nasceu foi cosquinha no pé dele. Queria ver se tinha sensibilidade e mexia as perninhas", disse a mãe, a assistente jurídica Lívia Tiemy Tshuchiya, 25 anos e moradora de Mauá. Ela foi uma das 52 mulheres do País a realizar o procedimento para fechar a medula exposta do bebê, principal característica da doença, ainda durante a gravidez.

    Conhecida como cirurgia fetal a céu aberto, reduz de 90% para 40% a chance de a criança nascer com hidrocefalia, ou acúmulo de líquido no cérebro, conforme o neurocirurgião da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo) Sérgio Cavalheiro. Além disso, ele destaca que há melhora na mobilidade das pernas, outra característica da patologia. "Antes, a cirurgia era feita quando o bebê nascia. Porém, o contato dos nervos expostos com o líquido amniótico, que é ácido, prejudica o desenvolvimento neuromotor, causando sequelas."

    Lívia lutou contra o relógio para conseguir a liminar da Justiça obrigando o convênio da Unimed a cobrir o procedimento. Com 25 semanas de gravidez, descobriu por meio de ultrassom que Nicolas tinha mielomeningocele. O indicado é que a cirurgia seja realizado até a 27ª semana de gestação. No mesmo dia em que recebeu o diagnóstico, entrou na internet e encontrou informações sobre a doença, incluindo reportagem sobre uma mãe que realizou o procedimento no Sul do País. "Fiz contato com ela e descobri que o desenvolvimento do bebê estava perfeito. Não podia negar essa chance para meu filho."

    Hoje, com Nicolas no colo e um sorriso no rosto, Lívia sabe da importância de relatar o que viveu. "O ginecologista que fez meu pré-natal não conhecia a cirurgia intrauterina e foi contra. É preciso conscientizar médicos e pacientes sobre essa possibilidade de melhorar a vida das crianças."

    Cavalheiro concorda. "Quanto mais gente conhecer a cirurgia, maiores são as chances de cobertura de planos de Saúde e do SUS (Sistema Único de Saúde), sem liminar."



    Falta de ácido fólico é principal causa

    A falta de ácido fólico no organismo da mulher é a principal causa da mielomeningocele, ou espinha bífida, como também é conhecida a doença que afeta um de cada 1.000 bebês nascidos no Estado de São Paulo.

    Por isso mesmo, o neurocirurgião Sérgio Cavalheiro destaca a importância da suplementação do nutriente antes de engravidar. "É necessário começar a tomar o ácido fólico no mínimo com dois meses de antecedência."

    Muitas mulheres, porém, não planejam a gravidez, como foi o caso de Lívia Tiemy Tshuchiya. "Tomei só depois que já estava grávida, durante três meses. Mesmo assim, não evitou o problema." Algumas também engravidam logo depois de parar de tomar anticoncepcional, o que prejudica a absorção do ácido fólico.

    Para evitar a doença, Cavalheiro acredita que o governo deveria ampliar o percentual de suplementação da farinha de trigo com ácido fólico. "Mas apenas isso não garante que o bebê não terá a doença, pois muitas mães fazem dieta e não ingerem produtos a base de farinha, como pães e bolos."

    Para essas mulheres, é preciso garantir a opção de realizar a cirurgia intrauterina sem custos. O principal risco é a prematuridade, que pode ser facilmente controlada com acompanhamento na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal.

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  5. Qual o preço ou custo preço da liminar para obter essa cirurgia a ceu aberto? Estou em São paulo Capital e preciso de um advogado. Grato.

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  6. Agradeço pela obtenção da autorizacao para a realizacao do procedimento cirurgico intrauterino para correcao
    de meningomielocele, pelo medico Dr. Antonio Fernandes Moron e sua equipe, no Hospital e Maternidade Santa Joana.

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  7. Agradeço pela obtenção da autorizacao para a realizacao do procedimento cirurgico intrauterino para correcao
    de meningomielocele, pelo medico Dr. Antonio Fernandes Moron e sua equipe, no Hospital e Maternidade Santa Joana.

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  8. Todos pela Princesa Sofia! Amigos peço à ajuda de vcs.Minha prima está grávida de 23 semanas e através de uma ultrassom ,descobriu que a bebê dela tem mielomeningocele. Ela precisa fazer uma cirurgia até completar 26 semanas. Tivemos a informação que se ela fosse pra São Paulo ,conseguiria pelo sus.Com a ajuda de amigos e novos amigos ,que Deus enviou conseguiu ir. Chegando lá ,em uma consulta com o médico ele falou que pelo sus ,não tem vaga.E que ela tem que entrar na justiça para o Plano UNIMED liberar. Só que sabemos que esse procedimento é lento e temos que corre contra o tempo.Estou aqui para pedir se alguém tiver algum amigo ou parente que trabalha no Hospital São Paulo e que puder nos ajudar a conseguir pelo sus ,ou algum Juiz que possa nos ajudar.Estamos tentando de todas as formas. Se Deus nos mostrou que existe uma solução ,iremos lutar com toda nossa força.Se puder nos ajudar compartilhando já agradecemos . Já enviamos email para programas de tv.Enquanto existe 1%de chance teremos 99 de fé.
    Por favor se alguém puder ajudar entra em contato comigo. afoliveiraferreira@outlook.com

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  9. Gostaria de saber se é possivel fazer essa cirurgia intrauterina pelo Sus, estou com 22 semanas e diagnosticou mielo e hidrocefalia,estou desesperada, preciso de mais informações..

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