sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nova regra sobre fertilização assistida

O ESTADO DE S. PAULO - VIDA

Para experts, nova regra sobre embriões não altera eficácia

A decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) de reduzir o número de embriões durante a fertilização assistida de mulheres com menos de 40 anos não afetará os índices de eficácia da técnica, dizem médicos ouvidos pelo Estado. "No passado, quanto mais embriões implantados, maior a chance de gravidez. Mas hoje isso não é mais assim", afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, Waldemar Amaral.

A nova resolução do CFM sobre fertilização assistida alterou as regras sobre limites para implante de embriões em pacientes que se submetem à técnica. O teto anterior de quatro embriões está mantido apenas para mulheres de 40 anos ou mais. Para as pacientes com menos de 35 anos, o máximo tolerado agora passa a ser de dois embriões. Em pacientes com idade entre 36 e 39 anos, o limite agora é de três.

O receio de pacientes é de que, com essa mudança, caia também o grau de eficiência da técnica. "Esse medo é infundado", garantiu o urologista Jorge Haddad Filho, do Grupo de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo. Atualmente, as chances de sucesso de terapia nas clínicas de fertilização assistida no Brasil são de 40%. "Nos casos de mulheres com menos de 40 anos, esses índices se mantêm, seja implantando dois, três ou quatro embriões", completou Amaral. Haddad Filho conta que muitos profissionais, sabendo dessa pouca interferência nos resultados, vinham reduzindo o número de embriões implantados em pacientes mais jovens.

A decisão do CFM tem como objetivo reduzir o índice de gravidez múltipla registrado no Brasil - de 30% -, considerado muito acima do aceitável. "Quanto maior o número de bebês, maior os riscos da gravidez", informou o urologista da Unifesp. Bebês podem nascer com problemas ortopédicos, como luxação de quadril e problemas na formação dos pés. A gestante tem risco maior para aborto e ruptura do útero.

"Gestação múltipla se transformou em algo que médicos evitam ao máximo. Tanto é que, para conceder certificação de qualidade, clínicas precisam apresentar um índice de gestação múltipla inferior a 2%", disse Amaral.

Gays. O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, considerou uma vitória do movimento a autorização dada pelo CFM para que casais gays possam recorrer à fertilização assistida. "É um direito, que agora passa a ser garantido", disse. No caso de casais formados por duas mulheres, o espermatozoide terá de ser de doador desconhecido. Entre casais formados por dois homens, o embrião, formado com um óvulo de doadora desconhecida, terá de ser implantado em um parente próximo (mãe ou irmã) de um dos integrantes do casal. A medida foi feita para evitar a "barriga de aluguel".

Oswaldo Peregrina Júnior, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, disse que o registro de crianças nascidas por meio da técnica deve seguir a lógica da adoção por casais formados por pessoas do mesmo sexo. "Isso já é feito; no campo filiação constam o nome das duas pessoas responsáveis." O professor lembra que, no caso de casais formados por dois homens, um deles pode ser o pai biológico. "Uma das possibilidades é de que o outro parceiro adote o bebê, essa seria uma alternativa."

Lígia Formenti


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