quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Propriedade compartilhada ou "time sharing"

Compra de fração de imóvel de luxo: modelo está sendo adotado por mais abonados


Por: Camila F. de Mendonça

30/11/10 - 18h06

InfoMoney


SÃO PAULO – Acostumado a lidar com imóveis, o engenheiro agrônomo Paulo Bertucci, 50, resolveu há pouco mais de um ano “diversificar” seus investimentos, sem sair do mercado imobiliário que já entendia. Ele comprou por R$ 95 mil uma parte de um imóvel de luxo no Paraná. O que para muitos parece ser "mais do mesmo", para Bertucci esse tipo de investimento era um passo para aumentar seu “leque de negócios”.

Isso porque o engenheiro não comprou um imóvel convencional. Ele comprou um décimo de um imóvel que faz parte de um modelo que, no Brasil, tem pouco mais de cinco anos. Trata-se de uma comercialização compartilhada para intercâmbio de férias de luxo.

Bertucci é proprietário de uma parte da casa, ao lado de outros nove proprietários. Ele só pode desfrutar o imóvel durante cinco semanas por ano. Nesse período, ele pode alugá-lo para outra pessoa, aproveitar para curtir as semanas na casa ou mesmo trocar as semanas a que tem direito para aproveitá-las em outro lugar do País ou do mundo.

É assim que funciona um modelo de propriedade compartilhada. Você compra uma fração de um imóvel de luxo, que terá como proprietário outras nove, onze ou mesmo 15 pessoas, conforme o modelo adotado pelo empreendimento. Cada fração do imóvel dá direito ao proprietário de utilizá-lo por quatro, cinco ou seis semanas. Essas semanas podem ser alugadas. Nesses casos, é como se o locatário estivesse usufruindo o imóvel em seu lugar.

Se não alugar, o proprietário pode ficar na casa ou em outras propriedades do mundo que seguem essa mesma lógica e que são parceiras do Grupo RCI (The Registry Collection).

Dessa forma, o proprietário pode trocar suas semanas na propriedade que comprou por semanas em outros empreendimentos conveniados. “Geramos uma plataforma de intercâmbio que hoje já tem mais de 160 empreendimentos conveniados em todo o mundo”, afirmou o diretor do Grupo RCI no Brasil, Alejandro Moreno. No País apenas três empreendimentos seguem esse modelo: Quintas Private Residences, na Costa dos Coqueiros, na Bahia; Itacaré Paradise, também na Bahia; e o Aguative Privilège, no Paraná – o primeiro a adotar a comercialização compartilhada de imóvel no Brasil. “Estamos em negociação para instalarmos mais três ou quatro novos empreendimentos que seguem esse modelo”.

Seu imóvel...e de mais alguns
A ideia de comprar uma fração de imóvel é fazer com que os proprietários não paguem mais do que precisam pagar para usufruir de tudo o que esse imóvel oferece. Bertucci, por exemplo, desembolsou R$ 95 mil para utilizar um imóvel que, se comprasse sozinho, pagaria cerca de R$ 1,5 milhão. "E com certeza eu não poderia utilizá-lo por mais do que duas ou três semanas por ano", diz. Além do valor da fração, o engenheiro também desembolsa R$ 800 por mês para a manutenção. Sozinho, ele gastaria cerca de R$ 8 mil por mês.

Em um ano como proprietário, Bertucci pagou R$ 9,6 mil para ter a casa em ordem. Mas embolsou mais de R$ 15 mil com as locações que fez ao longo desse período. “Dos 35 dias que eu tenho direito, eu aluguei 16 dias e usufrui dos outros 19, ou seja, saí ganhando”, diz. Em suas contas, a casa de luxo do Aguative Privilège está dando um retorno semelhante ao que ele tem com o aluguel de um imóvel que ele comprou por R$ 120 mil em uma região próxima.

“Quando você compra um imóvel, você arca com todos os custos dele. Quando você compra fracionado, você paga pelo o que você utiliza”, diz Alejandro. Ele ressalta, contudo, que a ideia inicial e prioritária desse modelo de negócio é o intercâmbio de férias e lazer e não a locação, embora isso possa ser feito. “Se você compra uma fração, você é proprietário e pode fazer o que quiser”, afirma o diretor da Eko Construtora, empreendedora do Itacaré Paradise, Mauro Fabbroni.

Para ele, esse modelo tende a ser cada vez mais adotado no Brasil. Em Itacaré, existem dois tipos de imóvel: o de três suítes, cuja fração sai por R$ 143 mil, e o de quatro suítes, com fração a R$ 183 mil. Cada imóvel possui 12 proprietários. Se alguém quisesse comprar um imóvel desse padrão, pagaria cerca de R$ 2 milhões. A taxa de manutenção sai em média por R$ 600 mensais. “Essa taxa de manutenção é para o proprietário não se preocupar com nada, absolutamente nada”, diz.

Fabbroni lembra que os imóveis que seguem esse modelo de comercialização são inteiramente mobiliados e possuem todos os utensílios que os proprietários podem utilizar durante sua permanência no imóvel.

Riscos e cuidados
Antes de optar por comprar uma fração de imóvel, Bertucci ponderou os riscos que teria. E chegou à conclusão que apenas um poderia fazer com que esse novo investimento não desse certo. “O risco seria é de o empreendimento quebrar, de ele não manter a qualidade que tem”, disse. Contudo, antes de realizar esse tipo de comercialização, é preciso ficar atento ao seu perfil. O engenheiro não se importa em compartilhar um imóvel com outros proprietários. Mas há quem goste de ter a casa disponível o ano inteiro - o que não acontece nesse modelo.

“Esse produto não é para todo mundo”, alerta Alejandro, do RCI. “Se você não gosta de compartilhar e nem de planejar, é melhor você pensar bem antes de fechar negócio”, diz. De fato, quem não tem o hábito de planejar uma viagem, terá dificuldades de se adaptar a esse modelo. Isso porque, como explica Fabbroni, da Eko, todo ano um calendário é disponibilizado pela internet aos proprietários dos imóveis, para que eles marquem as semanas que querem usufruir no imóvel ao longo do ano. As semanas mais requisitadas, como as de janeiro, julho, Carnaval, Natal e Ano Novo são sempre rotativas e não entram no calendário disponibilizado aos proprietários.

Por isso, embora pareça vantajoso, ter um imóvel de luxo continua sendo para poucos, ainda que de maneira compartilhada. De resto, os cuidados a serem tomados nesse tipo de negociação são os mesmos para a compra de qualquer imóvel.

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