domingo, 10 de outubro de 2010

Justiça Eleitoral de São Paulo aceita denúncia contra Tiririca

04/10/2010 - 19h42

DE SÃO PAULO 

O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, aceitou nesta segunda-feira denúncia contra Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, eleito ontem deputado federal pelo PR com 1,35 milhões de votos. O pedido foi feito pelo Ministério Público Eleitoral de São Paulo. Segundo o juiz, a carta que apresentou para provar que é alfabetizado justifica o recebimento da denúncia. 

"A prova técnica produzida pelo Instituto de Criminalística aponta para uma discrepância de grafias", afirma Silveira. Para o juiz, o laudo levanta dúvida sobre o documento apresentado pelo deputado eleito ao apontar um "artificialismo gráfico". A denúncia foi recebida como complemento de outra aceita no dia 22 de setembro por omissão de bens na sua declaração quando se registrou candidato.

Tiririca tem 10 dias para se defender. O advogado do humorista afirmou que o partido é quem deve se pronunciar. Não foi encontrado ainda representante do PR que pudesse falar do assunto.

DESCANSO

Tiririca está em Fortaleza (CE) para descansar. Com a família, o comediante desembarcou na capital cearense na madrugada desta segunda-feira e falou, ainda no aeroporto Pinto Martins, com a TV Diário, uma emissora local.

"Eu tô muito feliz, agora a gente vai dar uma descansada. Viemos comemorar aqui, na terra da gente, que é muito importante, e a expectativa é a melhor possível. Se Deus quiser, vamos fazer muita coisa boa", disse, em relação ao seu mandato. Tiririca disse ainda que não imaginava que seria eleito. "É sensacional, é coisa de Deus", disse. 

PEDIDO NEGADO

No dia 29 de setembro, o mesmo juiz rejeitou um pedido do promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, que queria fazer um teste de escrita e leitura com o candidato. Para ele, não havia qualquer causa de inelegibilidade, inclusive quanto à instrução mínima. 

Na decisão, o juiz afirma que, a lei "não exige que os candidatos possuam mediano ou elevado grau de instrução, mas apenas que tenham noções rudimentares da linguagem pátria, tanto que é preceito do próprio Estado democrático de Direito a pluralidade / diversidade, buscando-se evitar, inclusive, a formação de um elitismo no corpo dos membros dos poderes legislativo e executivo."

Reportagem da revista "Época", de duas semanas atrás, mostrava indícios de analfabetismo do deputado eleito. Para a revista, o humorista Ciro Botelho --que escreveu o livro "As piadas fantárdigas do Tiririca"-- afirmou que o candidato não sabe ler ou escrever. A reportagem também descreve situações em que ele mostra dificuldade de leitura.

No último dia 22, a Justiça recebeu uma denúncia contra o candidato por omissão da declaração de bens no pedido de registro de sua candidatura. A denúncia também foi oferecida pelo Ministério Público Eleitoral, que entende ter havido falsidade ideológica.

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