quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Decisão do STJ beneficiou os bancos mais do que prejudicou, dizem analistas

SÃO PAULO - Apesar da decisão  do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de que os bancos deverão pagar correção das cardenetas poupança durante o período dos planos Bresser, Verão, Collor I e II, a avaliação do Barclays Capital e da Link Investimentos não é de todo negativa para as insituições financeiras do País.


Isto porque o tribunal decidiu que quem entrou com ação individual antes de 20 anos depois de cada plano econômico, terá o direito de receber a correção. No entanto, no caso de ação coletiva, só ocorrerá a correção caso os correntistas tenham entrado com a ação no prazo de cinco anos após o plano pelo qual tenham se sentido lesados. Com isso, foram derrubadas cerca de 1.100 ações coletivas, que beneficiariam em torno de 40 milhões de poupadores.


Ponto positivo



“Em nossa opinião, este é um ponto positivo para os grandes bancos, uma vez que esta decisão pode ser potencial e significativamente reduzir o montante que poderia ser solicitado”, avaliam Roberto Attuch e Fabio Zagatti, dupla de analistas que assina o relatório do Barclays.


Eles lembram ainda que, “de acordo com o IDEC, uma agência de advogado consumidor brasileiro, até 99% dos créditos públicos expiram com a decisão do STJ, fato que reduz o número de reivindicação em uma magnitude de cerca de R$ 10 bilhões”.


Provisões já antecipadas



A Link Investimentos também acredita que a queda do prazo é "muito favorável aos bancos", já que reduz o potencial montante a ser indenizável. "Ainda assim, apesar de não termos os valores exatos, os bancos já vinham realizando provisionamento para esse evento", ressalta Mariana Taddeo, analista responsável pela cobertura do setor bancário.


Mariana lembra em relatório que a decisão tomada pelo STJ ainda pode mudar, pois deve ser julgada também pelo STF (Superior Tribunal Federal). Dessa forma, a analista optou por manter a recomendação de outperform (performance acima da média do mercado) para Bradesco e market perform (desempenho em linha com a média) para Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Itaúsa.


Febraban



Após o anúncio, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou, por meio de nota, que as instituições financeiras avaliarão os efeitos da decisão do STJ e que aguardarão a publicação do acórdão para entender a decisão e, depois, definirem os caminhos a serem adotados.


Ao contrário do que muitos dizem, a federação ressalta que os bancos nada ganharam com os planos e que cumpriram as leis estabelecidas pelas autoridades nos momentos de implantação desses planos e que não tinham poder para decidir qual o índice de correção a ser adotado nas cadernetas de poupança.



Por: Equipe InfoMoney
26/08/10 - 11h54
InfoMoney

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