segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Copom: entenda como funciona e quais são suas principais tarefas

SÃO PAULO - Copom: pelo menos uma vez ao mês, esta é uma das palavras mais ouvidas no noticiário econômico brasileiro, com a reunião do colegiado do Banco Central centralizando as atenções de todo o País. Afinal de contas, é na reunião do Copom que são decididos os rumos da Selic, a taxa básica de juro da economia brasileira.

Mas o que é o Copom e como funciona? O Copom, ou Comitê de Política Monetária do Banco Central, foi criado em junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa básica de juro. Até o final de 2005, as reuniões do colegiado acontecem com freqüência mensal, mas a partir de 2006 ocorrerão aproximadamente a cada 44 dias, ou seja, oito reuniões ao ano.

Inspiração nos EUA

O modelo adotado no Brasil é similar ao do Federal Reserve, o banco central norte-americano, que tem no Federal Open Market Committee (FOMC) a centralização das decisões de política monetária, trazendo mais transparência ao processo decisório.

De acordo com o Banco Central, os objetivos do Copom são "implementar a política monetária, definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o 'Relatório de Inflação'". Vale lembrar que a taxa de juro fixada na reunião do colegiado é a meta para a Selic, que vigora no período até a próxima reunião do comitê.

Como funciona

Desde 2000, as reuniões do Copom são divididas em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a segunda às quartas-feiras. O comitê é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central: o presidente, que tem o voto de qualidade; e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

Também participam do primeiro dia da reunião os chefes de alguns departamentos do Banco Central, como o Departamento Econômico (Depec), o Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin), o Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban), o Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), o Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), além do gerente-executivo da Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin).

* Primeiro dia do encontro: Nesse dia os chefes de departamento e o gerente-executivo apresentam uma análise da conjuntura econômica incluindo variáveis como inflação, atividade econômica, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

* Segundo dia do encontro: Participam dessa reunião os membros do Comitê e o chefe do Depep, sem direito a voto, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a meta da Selic e recomendações para a da política monetária. Após participação dos demais membros, as propostas são votadas, buscando-se, quando possível, o consenso.

O que é o viés da taxa de juros?

No momento do anúncio da taxa, o Copom pode estabelecer um viés, de elevação ou de redução. Trata-se de uma prerrogativa que autoriza o presidente do Banco Central a alterar a meta para a taxa Selic na direção do viés a qualquer momento entre as reuniões regulares do Copom. O viés é utilizado, normalmente, quando alguma mudança significativa na conjuntura econômica for esperada.

Ata da reunião e Relatório de Inflação

Outro elemento muito acompanhado pelo mercado é a ata da reunião, que traz os motivos para as decisões e pode trazer pistas das próximas ações do colegiado. As atas em português são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana seguinte a cada reunião.

Outro documento preparado pelo Copom é o Relatório de Inflação, publicado ao final de cada trimestre (março, junho, setembro e dezembro). Este relatório analisa a economia brasileira e traz as projeções do colegiado para a taxa de inflação

Por: Equipe InfoMoney
18/10/06 - 10h25
InfoMoney

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